CONVERSA – ESPECIAL OUTUBRO ROSA

Alimentar corpo, mente e alma

Batemos um papo com Inara dos Santos Nascimento, coordenadora de nutrição clínica da Unidade de Internação
do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, sobre o papel da alimentação durante
o tratamento do câncer de mama e não só para a saúde física, mas também mental e emocional

Leve com Você: Qual é a importância do acompanhamento nutricional durante o tratamento?

Inara dos Santos Nascimento: Primordial. É o que falo para todas as pacientes: boa parte do tratamento depende
da alimentação adequada. É fundamental incluir na dieta alimentos protetivos, de preferência orgânicos e in natura, que são muito benéficos nessa fase. Muitas pacientes já chegam utilizando complementos nutricionais, como antioxidantes, polivitamínicos proteicos, e a gente faz os ajustes necessários dependendo do tratamento.
Então vai além de ter uma alimentação saudável e balanceada, é preciso olhar com atenção para o quadro geral daquela paciente e levar em conta, além de suas necessidades nutricionais, questões fisiológicas e emocionais, gostos, vontades, intensidade dos efeitos colaterais, entre outros aspectos muito particulares.

Sobre os efeitos colaterais: essa é uma demanda alta da nutrição? Alimentação para amenizar um possível mal-estar?

Embora os tratamentos tenham avançado muito e sejam bem menos agressivos atualmente, ainda vemos com certa frequência efeitos colaterais como náuseas, enjoos e diarreia, além de dores e desconfortos na parte epigástrica, como cólica intestinal ou dor de estômago. E, às vezes, o hábito alimentar dessa paciente não estava adequado
ao tipo de medicação que ela está tomando e a intolerância que ela apresenta a ele. Então a nutrição auxilia na escolha dos alimentos para amenizar esses sintomas. Em um caso de diarreia, por exemplo, ajustamos gordura, açúcares e fibras na dieta. Se for enjoo, introduzimos alimentos mais cítricos, mais gelados, menos temperados
e por aí vai. E a tendência dessa paciente com náusea é não comer. Então a gente orienta refeições leves e menores mais vezes ao dia, já que o jejum piora o quadro.

Inara dos Santos Nascimento

“Quando falamos em manutenção da saúde, tudo importa para a alimentação: predisposição genética, estilo de vida, queixas paralelas, fase do tratamento, tipo da doença etc. Por isso, esse olhar individualizado e investigativo é essencial”

Inara dos Santos Nascimento, coordenadora de nutrição clínica da Unidade de Internação do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Você é uma nutricionista oncológica.
Qual é o olhar diferencial dessa especialização para a doença?

Quando falamos em cuidado, o papel do nutricionista oncológico é muito importante porque esse olhar vai para além do prato. O câncer é uma doença complexa, com impactos físicos e emocionais. Já recebi pacientes com muitas restrições alimentares. A própria família às vezes faz esse controle rígido. E não é bem por aí. A gente tem que trilhar um caminho junto com a paciente, entender sua história, seu diagnóstico, seu momento de vida. Já recebi pacientes que descobriram o câncer de mama durante a amamentação, na gestação. Temos que saber tratar esses casos como nutricionista, acolhendo, direcionando, entendendo que não é na primeira consulta que vamos resolver a alimentação da paciente. Existe o tempo do tratamento e o tempo para ela entender a importância da alimentação no tratamento. E o nutricionista é o responsável em fazer essa virada de chave com a paciente. Então, o profissional da nutrição bem informado, capacitado, bem amparado, com todas as informações que nós temos hoje, é de extrema importância dentro da equipe.

Nesse sentido, o tratamento multidisciplinar é fundamental.

Sim, totalmente. Aqui no Hospital, no Centro Especializado em Oncologia, temos uma equipe multidisciplinar.
Todos os pacientes que chegam vão passar por nutricionista, enfermagem, psicóloga, farmacêutica etc.
E todos conversamos. Um exemplo: dependendo da toxicidade da medicação (oral, subcutânea ou intravenosa),
a farmacêutica conversa comigo e com a psicóloga para ajustarmos nossa abordagem. Muitas pacientes com câncer de mama têm questões emocionais relacionadas à autoestima. Elas sentem culpa, se sentem negligentes com a saúde. Depois, muitas se preocupam com as alterações físicas, a possibilidade da retirada da mama, a queda do cabelo etc. Então fazemos um trabalho em conjunto para elas entenderem que estão passando por um processo de transformação, uma nova versão. E, nesse sentido, a alimentação tem um lugar chave, já que a comida é, com frequência, relacionada ao nosso estado emocional. Algumas perdem a vontade de comer o que dá prazer, outras têm compulsão alimentar. Então trabalho muito em parceria com a equipe multidisciplinar psicóloga, farmacêutica, enfermagem e equipe médica para acompanharmos e auxiliarmos essas pacientes. Tento resgatar esse prazer de comer, equilibrar e flexibilizar a dieta, como abrir um ‘dia especial’ na semana para ela comer o que gosta, orientando o melhor momento para abrir essa exceção. O benefício emocional e seu impacto positivo na saúde física, sem dúvida, favorecem o tratamento.

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