Diabetes tipo 2 cresce a cada ano no Brasil

São Paulo, 26 de junho de 2020 – De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), no período entre 2006 e 2019, a prevalência de diabetes tipo 2 passou de 5,5% para 7,4%. O Brasil tem cerca de 16,8 milhões de pessoas com a doença, mais de 14 milhões com tipo 2, ocupando o 6º lugar no ranking. A estimativa para 2045 é de que 20 milhões de pessoas terão diabetes no Brasil, segundo o último Atlas do Diabetes da International Diabetes Federation (2019).

A endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dra. Tarissa Petry, aponta que o aumento de casos e de diagnósticos são consequência do crescimento do sedentarismo, maus hábitos alimentares e da obesidade, doença relacionada ao diabetes. De acordo com a Vigitel, dois em cada 10 brasileiros tem obesidade e mais da metade dos brasileiros está com sobrepeso (55,4%). “Vivemos uma pandemia do diabetes e da obesidade. A maioria das pessoas com diabetes não têm o controle da doença, que além de gerar problemas cardiovasculares e insuficiência renal, pode ser fatal. O que pode levar o paciente à morte não é a só a descompensação da glicose no sangue, mas principalmente suas complicações”, explica.
O Diabetes Mellitus tipo 2 tem origem na resistência insulínica, que acontece quando o organismo não consegue mais usar adequadamente a insulina, hormônio que controla a entrada de glicose nas células, sobrecarregando o pâncreas. Ao longo do tempo, esse quadro causa a falência do órgão, que vai deixando de produzir o hormônio, levando ao diagnóstico deste tipo da doença, que é a principal causa de novos casos de cegueira, derrames cerebrais, infarto do miocárdio, amputações de membros, insuficiência renal e transplante renal no mundo.

DIABETES EM TEMPOS DE COVID-19

As pessoas que vivem com a enfermidade também estão dentro do grupo de risco de alguns vírus respiratórios, como o da pandemia atual, o SARS-CoV-2 causador do Covid-19, já que a hiperglicemia compromete a resposta imune do organismo, dificultando o combate às infecções. “Pessoas que já têm a doença há algum tempo e complicações associadas, assim como o descontrole glicêmico, estão mais suscetíveis a evoluir para a forma grave do Covid-19. Por isso é primordial fazer o tratamento do diabetes corretamente”, comenta Dra. Tarissa.

Essa suscetibilidade acontece, pois, as infecções virais podem aumentar a inflamação do organismo da pessoa com a doença, principalmente quando o diabetes está associado à obesidade, que é uma doença inflamatória de tecidos. Outra maneira do vírus infectar e proliferar no organismo é por meio da ligação à enzima conversora de angiotensina 2, do qual pacientes com diabetes têm maior expressão em células alveolares, miocárdio, rim e pâncreas, o que pode favorecer o aumento da letalidade do Covid-19. Especialistas publicaram na New England Journal of Medicine a hipótese de que a Covid-19 também pode desencadear o diabetes em pessoas saudáveis e agravá-lo em quem já é portador da doença.

Dados internacionais, publicados em revistas médicas, mostram que mais de 60% das internações em Nova Iorque, nos EUA, eram de pessoas com obesidade e próximo a 50%, de pessoas com diabetes. Na Itália, dois terços dos pacientes com Covid-19 internados em UTIs tinham diabetes. Especialistas apontam a importância de se investir em estratégias de controle da disseminação do diabetes, assim como da obesidade, para que em futuras pandemias, evite-se a alta ocupação de leitos em hospitais.

TRATAMENTO

Nos últimos anos, novos medicamentos surgiram e ampliaram as opções para o tratamento desta enfermidade. Entre os fármacos que podem ajudar no tratamento estão os análogos do hormônio GLP-1 e os inibidores da SGLT-2. Uma nova geração de insulinas também tem melhorado a posologia para os pacientes.
Mesmo com essas novas associações de medicações e insulinas é fundamental que o paciente siga o tratamento. “A adesão não é fácil, pois trata-se de uma doença crônica e progressiva, com muitas comorbidades. A maioria tem dificuldades em tomar medicações corretamente e manter o estilo de vida saudável”, aponta a endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

“Quando já diagnosticado, dependendo da gravidade, o diabetes pode ser controlado com a realização de atividade física e adoção de estilo de vida e alimentação saudável, mesma fórmula que evita o desenvolvimento da doença. Em outros casos, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose. Durante o tratamento é preciso acompanhar os índices de pressão arterial e glicemia e qualquer outra alteração que a doença possa causar”, diz a endocrinologista.

Quando o tratamento clínico não consegue controlar adequadamente o diabetes, uma opção é a cirurgia metabólica. Atualmente, no Brasil, o procedimento é autorizado em casos de IMC acima de 30 kg/m², desde que o diabetes não esteja controlado com o melhor tratamento clínico disponível. Após a cirurgia, o índice de remissão da doença chega de 70 a 80% dos casos, com suspensão ou diminuição da medicação.

Estudo publicado recentemente na Jama Surgery, do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, aponta que a cirurgia metabólica é o tratamento mais eficaz na remissão de complicações renais em pessoas com diabetes tipo 2. A primeira avaliação feita em dois anos, de um estudo com cinco anos de acompanhamento, detectou a remissão da albuminúria (perda da proteína albumina na urina e importante indicador de insuficiência renal), em 54,6% dos pacientes após tratamento médico e 82% após a cirurgia metabólica por bypass gástrico em Y de Roux.

Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Fundado em 1897 por um grupo de imigrantes de língua alemã, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz é um dos maiores centros hospitalares da América Latina. Com atuação de referência em serviços de alta complexidade e ênfase em Oncologia e Doenças Digestivas, em 2020 a Instituição irá completar 123 anos. Para que os pacientes tenham acesso aos mais altos padrões de qualidade e de segurança no atendimento, atestados pela certificação da Joint Commission International (JCI) – principal agência mundial de acreditação em saúde –, o Hospital conta com um corpo clínico renomado, formado por mais de 4 mil médicos cadastrados ativos, e uma das mais qualificadas assistências do país. Sua capacidade total instalada é de 805 leitos, sendo 582 deles na saúde privada e 223 no âmbito público. Desde 2008, atua também na área pública como um dos cinco hospitais de excelência do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde.

Hospital Alemão Oswaldo Cruz – https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/

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Autor: Hospital Alemão Oswaldo Cruz Data: 26/06/2020

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