BEM – ESTAR SEM TAMANHO

A obesidade é uma doença e deve ser levada a sério. Discutimos as melhores formas de tratamento para viver sem complicações.

Dra. Camila Rodrigues Souza

A obesidade é uma doença e deve ser levada a sério. A vantagem dos tratamentos farmacológicos e da cirurgia é que eles atuam nos centros da fome e saciedade, além de promover outras alterações fisiológicas positivas para o emagrecimento. Desde 1998, as cirurgias bariátricas são feitas por videolaparoscopia no Brasil. As taxas de complicações e mortalidade são muito pequenas, de 2% e 0,1%, respectivamente, segundo a literatura médica nacional e internacional. Com isso, as resistências também vêm caindo. “Ao contrário de crenças infundadas, quando bem indicada a cirurgia é o melhor tratamento para a obesidade e suas doenças associadas”, pontua Camila Rodrigues de Souza Carvalho, nutricionista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Camila destaca que a cirurgia é só a porta de entrada. O sucesso do procedimento vem depois. “Não adianta um paciente estar abaixo do IMC 25 [índice de massa corpórea limite para o sobrepeso] se estiver desnutrido, sem músculos no corpo. O que interessa é a saúde e não a estética”. Seja por meio de cirurgia ou tratamento clínico, o papel da(o) nutricionista, não é criar restrições, mas ocupar-se do comportamento da pessoa e ensiná-la a comer para o resto da vida.

DESDE CRIANCINHA

O bullying é um forte motivo para a obesidade ser tratada desde cedo. De 2008 a 2019, a procura por cirurgia bariátrica entre menores de 18 anos aumentou 218%, na rede privada – segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), 2100 adolescentes passaram pelo procedimento apenas no último ano. No SUS, foram 502 pacientes de 16 a 18 anos, nesse mesmo período.

Animação: Mulher pulando corda

DESCOBERTAS

Dra. Livia Porto

“Nenhuma mãe chega indignada porque o filho descobriu que é portador de diabetes, mas sim por não conseguir emagrecer. Por – que a obesidade, muitas vezes, não é encarada como uma doença”, aponta a Dra. Lívia Porto, endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Para ela, a pandemia foi positiva para essa questão. “O fato de o coronavírus ter na obesidade um fator de risco para a sua forma grave vem mudando o olhar das pessoas, facilitando que a reconheçam como doença.” A obesidade traz consequências proporcionais ao tempo de exposição. A cada ano aumentam as chances de doenças metabólicas mais difíceis de lidar e mais graves. “Na população com IMC acima de 40, a prevalência de alguns transtornos psiquiátricos pode ser duas a três vezes maior que na população geral”, afirma a Dra. Débora K. Kussunoki, psiquiatra do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes. A forma simplista como o emagrecimento costuma ser tratado também não ajuda, porque no caso da obesidade, a matemática não se resume a comer menos e se exercitar mais. “É uma doença crônica, multifatorial e que se retroalimenta. Tem alterações inflamatórias e de hormônios intestinais que fazem com que ela persista, trabalhando para sua continuidade”, destaca a Dra. Lívia.

#CORPOLIVRE

Ter medidas maiores do que as tabeladas na faixa da normalidade costuma significar certa exclusão social e estrutural – já que cadeiras, catracas, atrações turísticas e até postos de trabalho não comportam pessoas portadoras de obesidade. Só pelo peso, muitas pessoas são julgadas e rotuladas como preguiçosas e descuidadas e ainda recebem tratamento desrespeitoso e humilhante. Para combater esses estigmas, o movi – mento corpo livre (versão nacional do body positive) defende a aceitação de cada corpo como ele é. Para a psiquiatra Débora K. Kussunoki, só é preciso ter cuidado para não abraçar a causa contra a gordofobia e enquadrar quem quer emagrecer ou quem oferece tratamento como gordofóbico. “As pessoas têm de saber que existe uma consequência – o peso e os tipos de acúmulo de gordura acarretam diferentes doenças. Ninguém precisa ficar com o corpo perfeito, nem ser privado de tratamento”, argumenta

Dra. Debora Kussunoki

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