OMS deve declarar adoçante comum em refrigerante zero como cancerígeno

Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, ligada à entidade, deve apresentar informações sobre riscos do aspartame no próximo mês.

Um dos adoçantes artificiais mais comuns e que é usado em bebidas zero (ou diet), principalmente refrigerantes, o aspartame está na mira da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS): no próximo mês, ele deve ser classificado como “possivelmente cancerígeno para humanos” e inserido pela primeira vez na lista de produtos com potencial para causar a doença. A informação foi confirmada por fontes que acompanham o processo à agência de notícias Reuters

A definição será anunciada provavelmente em 14 de julho após uma larga revisão de evidências científicas sobre o adoçante, realizada neste mês e com base em 1,3 mil estudos publicados sobre o aspartame . Nesta data, também será apresentado um documento do Comitê Conjunto de Especialistas em Aditivos Alimentares da OMS e da Organização para Agricultura e Alimentação, o JECFA, sobre o uso de aditivos alimentares. Desde o início da década de 1980, esta entidade classifica o aspartame como seguro, mas fontes afirmam à Reuters que as conclusões de ambos os órgãos são “complementares”.

Outra motivação para a reclassificação do produto seria a proposta de fomentar mais estudos sobre o adoçante, que é largamente utilizado por pessoas que querem diminuir o consumo de açúcar – inclusive sem abrir mão de bebidas industrializadas -, embora o aspartame seja fonte de pesquisas em diferentes partes do mundo. No ano passado, por exemplo, um estudo francês publicado no periódico Plos Medicine observou dados sobre 100 mil adultos que consumiam adoçantes artificiais, entre eles o aspartame, em grandes quantidades e concluiu que eles tinham risco ligeiramente maior de desenvolver tumores.

Da parte da indústria, entidades como a Associação Internacional de Adoçantes (ISA) e o Conselho Internacional de Associações de Bebidas criticaram a reclassificação e afirmaram que os dados podem confundir consumidores e induzi-los a aumentar o consumo de açúcar. No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) se manifestou defendendo o adoçante. “A Abid corrobora a segurança para consumo do aspartame, um dos ingredientes mais pesquisados da história, com mais de 90 agências de segurança alimentar que comprovam seu uso seguro”.

Consumo do aspartame

A reclassificação do aspartame a partir de julho como produto com potencial cancerígeno vai demandar mais atenção para o consumo de refrigerantes e demais bebidas zero, mas não deve ser motivo de pânico para os consumidores.

“Esse estudo vai mostrar a causalidade e, de fato, a gente já tem dados que mostram que a população precisa repensar como tem se alimentado. Não é novidade que tem essa relação do consumo de alimentos gordurosos e ultraprocessados com o desenvolvimento de tumores. Seria mais um fator de risco”, explica Pedro Exman, oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Entre os cânceres ligados aos hábitos alimentares, os principais são os de mama, endométrio e gastrointestinais, como o colorretal.

Ele alerta, no entanto, que o desenvolvimento de um tumor é multifatorial. “A exposição em longo prazo pode ser um fator de risco para desenvolver a doença, mas temos de considerar histórico pessoal, familiar e exposições a outros fatores”.

Diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Rodrigo Moreira diz que a reavaliação de substâncias é algo rotineiro e que, confirmada a relação do aspartame com câncer, é importante não generalizar os resultados. “Tem de esperar o documento da OMS para saber exatamente qual vai ser a recomendação. Se tiver a reclassificação do aspartame, a gente não pode extrapolar para todos os adoçantes. Mas, com certeza, o consumo do aspartame vai ser reavaliado em todo o mundo”.

Trocar açúcar por adoçante

No mês passado, a OMS publicou uma nova diretriz onde se posicionou contra o uso dos adoçantes sem açúcar com o objetivo de redução de peso corporal por adultos e crianças.

Após uma revisão de evidências científicas sobre o tema, a entidade informou que, além de não apresentar benefícios para o emagrecimento em longo prazo, os resultados sugerem que o consumo prolongado pode levar ao risco aumentado de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade em adultos.

Data: 03/07/2023 Fonte: Veja Online - SP

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