Brasileiros estão mais adaptados a temperaturas altas, mas podem ter problemas de saúde

Segundo um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da OMM (Organização Mundial de Meteorologia), publicado pelo Portal R7, o calor é um dos maiores problemas de saúde em todo o mundo e mata cerca de 15 milhões de pessoas por ano.

Apenas na Europa, durante o verão do ano passado foram mais de 61 mil mortes, de acordo com um estudo feito por cientistas de um instituto de saúde francês e do ISGlobal (Instituto de Saúde Global de Barcelona), publicado na Nature Medicine.

Mesmo com temperaturas tão altas nos últimos dias, não há tantos registros de mortes por calor no Brasil. Yuri Silva, biólogo e diretor técnico do Instituto Mapinguari, explica que há diferença do solstício de verão, época do ano em que os dias ficam mais longos, e como isso pode influênciar.

No Hemisfério Norte, o solstíco de verão acontece em junho, e a média de exposição solar é de 16 horas por dia. Para fins comparativos, em dezembro, quando ele chega ao Hemisfério Sul, a exposição é de cerca de 12 horas.

“O dia é mais longo e a noite é mais curta, então tem menos tempo para a temperatura das casas, da cidade de modo geral, diminuir. Quando começa a diminuir, já é dia de novo e já chega uma nova exposição”, diz Silva.

As casas também são um problema, já que, na Europa, são construídas para reter calor. Além disso, a população europeia também é mais velha, o que dificulta ainda mais a adaptação.

Mas o que mais impactou os países foi a alteração brusca nas condições climáticas — o corpo não consegue responder e se reequilibrar.

Além disso, no Brasil, o calor é mais úmido, porque apesar de reduzidas e ameaçadas, temos as florestas tropicais: a mata atlântica, a Amazônia, o cerrado — como berço das águas —, o Pantanal. “Todos esses ecossistemas mantêm a umidade do ar elevada, e ela favorece a transpiração, o suor, que é um mecanismo de controle de temperatura. Isso não acontece na Europa, o calor lá é mais seco”, explica Yuri.

Por todos esses pontos, o correto é dizer que os brasileiros estão adaptados às próprias condições climáticas e tem certas “vantagens” se comparados aos europeus.

Porém, apesar de não chegarem a óbito, as populações mais vulneráveis do país já sofrem com as altas temperaturas, com queimadas e chuvas fortes, por exemplo.

Mas, afinal, qual o limite? “A exposição prolongada a temperaturas acima de 40ºC pode levar a problemas sérios de saúde”, alerta Roberto Yano, cardiologista e especialista em estimulação cardíaca artificial pela SBCCV (Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular) e AMB (Associação Médica Brasileira).

O ser humano é homeotérmico, ou seja, independentemente da temperatura externa, a interna se mantém relativamente constante: entre 35,5°C e 36,5ºC. O controle é feito por meio dos sistemas nervoso central e circulatório. Os sensores de calor do corpo enviam sinais para o hipotálamo, região do cérebro que aciona respostas fisiológicas de controle, como aumento da transpiração e respiração acelerada (expiração do ar quente).

Quando considerada a temperatura externa, o limite para o corpo, segundo o Índice de Bulbo Úmido — Termômetro de Globo, fica entre 35ºC e 37ºC. A partir dela há um desconforto considerável, e o mecanismo termorregulador do corpo pode ficar sobrecarregado — é importante frisar que a tolerância varia de pessoa para pessoa.

O calor extremo faz mal ao corpo humano, principalmente ao sistema circulatório, por uma série de motivos. “O coração bate mais rápido quando está muito quente, para tentar controlar a temperatura e também pela desidratação. Por ele bater mais rápido, gasta mais energia e mais oxigênio do que precisaria”, explica Hélio Castello, cardiologista e coordenador da hemodinâmica do Centro Especializado em Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

As artérias também se dilatam, para equilibrar a temperatura corporal. Essa dilatação causa uma queda da pressão arterial. “O terceiro fator, que também atinge toda a parte circulatória, é que, quando está muito quente, nos desidratamos. Quem transporta mais água no nosso corpo é o sangue, então, uma vez que você perde água, teoricamente, tornaria o sangue um pouco mais concentrado, mais viscoso. Isso aumenta o risco de formar coágulos, que podem entupir algum vaso”, afirma Castello.

E acrescenta: “Por fim, em temperaturas muito extremas mesmo, muitas vezes, ocorre uma inflamação de toda a parte circulatória e respiratória”.

Isso significa que qualquer pessoa, exceto crianças, sob condição de calor extremo tem maior risco de sofrer um infarto (quando um coágulo bloqueia o fluxo sanguíneo para o coração) ou AVC (quando vasos que levam sangue para o cérebro entopem ou se rompem).

“A desidratação e a dilatação dos vasos sanguíneos periféricos podem contribuir para a diminuição do fluxo sanguíneo cerebral, elevando a probabilidade de eventos cerebrovasculares”, explica Yano.

A sobrecarga do coração também aumenta o risco de arritmia cardíaca (batimentos irregulares) e insuficiência cardíaca. Isso porque, além do “trabalho dobrado” do órgão, o corpo perde eletrólitos pelo suor, como sódio e potássio, fundamentais para manter a função cardíaca normal.

Yano complementa que as pessoas devem evitar bebidas alcoólicas, que acentuam a desidratação, e ficar atentas aos sinais da falta de água: tontura, fraqueza, náusea e confusão mental.

Data: 21/11/2023 Fonte: ES Hoje Online - ES

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