Primeira cirurgia para correção de lesões plexo braquial com o robô Da Vinci na América do Sul é realizada no Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Procedimentos semelhantes foram feitos apenas nos Estados Unidos e na França.

No dia 28 de março, foi realizado no Hospital Alemão Oswaldo Cruz a primeira cirurgia robótica de reconstrução do Plexo Braquial na América Latina, feita pelo médico Gustavo Mantovani, utilizando o Da Vinci S HD. O Plexo Braquial é um conjunto de nervos sensitivos e motores que saem da coluna cervical e é responsável por fornecer sensibilidade e função motora a todo o membro superior. As lesões geralmente acometem adultos que sofreram acidentes de moto ou praticam esportes de contato, e recém-nascidos no momento do parto.

A cirurgia é delicada e objetiva a melhora funcional dos braços e mãos. “A evolução imediata na primeira semana após a cirurgia foi ótima e a expectativa é que o paciente tenha uma boa recuperação da sensibilidade e da função motora”, afirma o médico, acrescentando que uma avaliação mais precisa poderá ser feita dentro de três a seis meses.

Para reconstruir as raízes C5 e C6, que formam o tronco superior do Plexo, foi retirado um enxerto de nervo de uma das pernas do paciente. “Isso não causa nenhum problema maior, apenas uma pequena área do pé pode ficar dormente, mas a função dos membros inferiores permanece normal”, conta dr. Mantovani. O robô foi utilizado para a micro-sutura do enxerto e funcionou como substituto do microscópio convencional, oferecendo visão de alta resolução ao cirurgião. Além disso, permite a realização das suturas microscópicas com maior precisão dos movimentos da mão do médico, abolindo qualquer tipo de tremor. Esta tecnologia poderá, num futuro próximo, viabilizar intervenções minimamente invasivas, o que favorece a recuperação e diminui as chances de infecção hospitalar.

Cirurgias semelhantes já foram feitas na França e nos Estados Unidos, deixando o Brasil e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz em destaque no cenário de desenvolvimento deste importante procedimento cirúrgico. O robô Da Vinci S HD também se torna cada vez mais importante nos procedimentos cirúrgicos urológicos e do aparelho digestivo.

Dr. Gustavo Mantovani

Cirurgião e ortopedista, membro do Corpo Clínico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Gustavo Mantovani fundou, em parceria com o professor Philippe Livernaux, chefe do departamento de Cirurgia da Mão e Microcirurgia da Universidade de Strasbourg (França), a sociedade para pesquisa e treinamento do uso do robô na cirurgia da mão, Robotic Assisted Surgery of the Hand (RASH), atuando como instrutor para ensinar a técnica a outros médicos na Europa. Além disso, em parceria com a Universidade de Strasbourg, com apoio da Intuitive Surgical, em Sunnyvale, na Califórnia, idealizou uma técnica para o tratamento endoscópico de lesões do Plexo Braquial. O projeto foi recentemente publicado pelo Journal of Neurosurgery, importante revista médica da neurocirurgia, e está em fase final de aprimoramento para iniciar o uso em pacientes com lesões agudas, imediatamente após o trauma. Desenvolveu também um modelo de treinamento em microcirurgia para evitar o uso de animais vivos, como ratos e coelhos, para simular a sutura de pequenas artérias, utilizando minhocas comuns, que hoje é utilizado nos cursos de treinamento com o robô Da Vinci S HD na Franca.

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