Incontinência urinária – especialista explica causas e efeitos

Conheça os danos físicos e sociais desta doença.

A incontinência urinária é uma doença que consiste na perda involuntária de urina e caracteriza uma manifestação de que existe algum problema com o funcionamento do trato urinário inferior. A doença gera desconforto social, prejuízo profissional e psíquico ao paciente.

Apesar de não atingir exclusivamente os idosos – aproximadamente 15% a 30% das pessoas acima de 60 anos apresentam a doença -, a incontinência urinária é mais comum na fase geriátrica e em mulheres, e pode ser agravada pelo relaxamento dos músculos perineais, por consequência da idade.

Além dos efeitos físicos da doença, a incontinência urinária afeta os indivíduos psicologicamente, pois interfere na qualidade de vida, podendo acarretar depressão e influenciar na vida sexual por gerar desconforto para o paciente. Os sintomas afetam o trabalho e a autoestima, uma vez que a doença impõe restrições de convivência ao limitar as atividades por conta da incapacidade de conter a urina. Porém, como a maioria desses problemas não é incapacitante, muitas pessoas não procuram um médico e acreditam ser uma consequência natural da idade.

“Na nossa sociedade, prevalece o fato cultural de que é normal perder urina principalmente na velhice. Mas, perder urina nunca é normal. É uma doença que deve ser tratada” afirma o Dr. Luciano Nesrallah, urologista do Instituto da Próstata e Doenças Urinárias do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Existem tratamentos desde comportamentais até cirúrgicos para o problema, dependendo do tipo de incontinência, que pode ser conduzida, tratada ou curada de forma que não interfira num estilo de vida saudável e ativo. É importante que homens e mulheres que sofrem da doença procurem seus médicos – urologistas e ginecologistas – para um diagnóstico correto, que vai depender das informações e características (como mostra o quadro abaixo) da patologia.

As causas mais comuns da incontinência urinárias são infecção urinária ou vaginal, consequências de algumas cirurgias, constipação intestinal, fraqueza nos músculos pélvicos, obstrução da uretra por aumento da próstata, lesões na coluna e efeito colateral de medicamentos.

Classificação das Incontinências Urinárias:

Incontinência Urinária de Esforço – ocorre devido a uma deficiência no suporte da bexiga e da uretra, que é feito pelos músculos do assoalho pélvico, ou por uma fraqueza ou lesão do esfíncter uretral. Nessa situação, ocorre perda de urina quando a pessoa faz esforços com o abdômen (tossir, espirrar, correr, rir, pegar peso, levantar, andar).

Incontinência Urinária por Urgência – acontece quando a bexiga está hiperativa (contração da bexiga sem o comando voluntário). A sensação é de não conseguir chegar ao toalete, um repentino desejo de urinar que pode ou não ser controlado. A bexiga pode tornar-se hiperativa devida a uma infecção urinária que a irrita ou por alterações nos nervos que a controlam.

Incontinência Urinária por Transbordamento – ocorre quando a bexiga não é esvaziada por longos períodos, tornando-se tão cheia que a urina simplesmente transborda. Isso pode acontecer quando a pessoa não percebe que a bexiga está cheia, quando existe uma fraqueza do músculo da bexiga ou obstrução na uretra que dificulta o esvaziamento normal. A principal causa de incontinência por transbordamento no homem é um aumento da próstata com obstrução da uretra. Fraqueza do músculo da bexiga e diminuição da sensibilidade podem ocorrer em ambos os sexos e são mais comuns em pessoas com diabetes, uso crônico de álcool.

Enurese Noturna – é a perda de urina durante o sono.