Hospital Alemão Oswaldo Cruz participa de estudo internacional sobre aumento do uso de antibióticos durante a pandemia de Covid-19

Instituição é a coordenadora da equipe brasileira participante da pesquisa, conduzida pelo Centers for Disease Control de Atlanta, que pretende descobrir mecanismos de resistência das superbactérias

São Paulo, 30 de novembro de 2022 – O Hospital Alemão Oswaldo Cruz é o coordenador brasileiro do estudo The Impact of Covid-19 on Antibiotic Use & Antimicrobial Resistance, trabalho internacional e multicêntrico que tem como objetivo avaliar o impacto da Covid-19 sobre o uso de antibióticos durante a pandemia e o possível aumento da resistência bacteriana decorrente deste uso. O estudo é financiado pelo governo americano, por meio do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (em inglês Centers for Disease Control and Prevention – CDC) de Atlanta. Também participam da iniciativa órgãos do CDC instalados na Ásia (Filipinas e Indonésia) e na América do Sul, com dois hospitais participantes na Argentina, dois no Chile.

No Brasil, além do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, responsável pelo estudo no país, participam o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e mais de trinta pesquisadores entre médicos, farmacêuticos, enfermeiros, microbiologistas da Divisão de Laboratório Central do HCFMUSP e do Laboratório Fleury. O estudo conta ainda com o suporte da área de tecnologia da informação e inteligência hospitalar.

De acordo com o Dr. Ícaro Boszczowski, Infectologista do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e coordenador nacional do estudo, no início da pandemia de Covid-19, como a doença era desconhecida e grave, muitas vezes simulando doenças bacterianas em pacientes de terapia intensiva, o uso de antibióticos foi considerado um importante aliado para combater possíveis complicações desta doença viral. Isso pode ter contribuído para o desenvolvimento de bactérias mais resistentes aos antibióticos.

“Queremos avaliar o impacto da Covid-19 na resistência bacteriana e no uso de antibióticos. Quando se faz uso excessivo de antibiótico, acaba-se por selecionar bactérias mais resistentes porque todas aquelas que são sensíveis à medicação morrem e sobram aquelas mais ‘fortes’. Além disso, a taxa de mortalidade dos pacientes infectados por microrganismos resistentes é maior do que daqueles infectados pelos sensíveis aos antibióticos. E a pesquisa pretende avaliar se, de fato, a pandemia contribuiu para o aumento de bactérias resistentes nas regiões envolvidas no estudo”, esclarece.

Atuação de pesquisadores brasileiros

O infectologista explica que os pesquisadores são responsáveis por coletar e avaliar dados de prontuário de internações (em unidade de internação e UTI de pacientes com e sem diagnóstico de Covid-19) ocorridas entre 2018 (pré-pandemia) e fevereiro de 2021. Foram analisados 544 prontuários no Brasil e ao todo 1.632 nos seis hospitais da América do Sul (Brasil, Argentina e Chile). A primeira das três fases da pesquisa já foi concluída. “Já coletamos dados e amostras das bactérias e os dados preliminares do braço da América do Sul mostram que, em 2020, todos os hospitais participantes tiveram aumento súbito do número de leitos de terapia intensiva que variou de 20% (na Argentina) a mais de 600% (no Chile). O consumo de antibióticos também cresceu de 25 a 80% em cinco dos seis hospitais participantes”, relata.

O pesquisador destaca que o resultado dessa primeira etapa deve sair no início de 2023. “Estamos armazenando um banco de bactérias resistentes, por meio da coleta de amostras, durante seis meses com o objetivo de, na segunda fase do estudo, estudarmos os seus mecanismos de resistência”, explica.

Ainda na primeira fase da pesquisa pretende-se verificar impactos relacionados ao incremento do número de leitos de terapia intensiva nos hospitais e ao aumento da contratação de profissionais de saúde para atender aos pacientes.

O infectologista ressalta que o estudo está em plena coleta de dados da Fase 2 e destaca que na Fase 3, que deve ter início em 2023, as amostras armazenadas serão sequenciadas geneticamente. “A partir daí, vamos fazer o sequenciamento genético completo para investigar todos os mecanismos de resistência que podem estar presentes nesses microrganismos”, esclarece.

A expectativa do Dr. Boszczowski é que, por meio desse estudo, seja possível aprimorar a expertise para novos enfrentamentos de emergências sanitárias no nível da Pandemia do Covid-19 e fazer um mapeamento completo de todas as variantes analisadas para que possam ser combatidas, no caso das bactérias.

“Acreditamos que ainda vai demorar alguns anos até termos uma avaliação mais precisa sobre os ‘estragos’ causados pela pandemia de Covid-19 no que diz respeito à resistência bacteriana. Por outro lado, conhecer o sequenciamento genético dessas bactérias seguramente vai nos ajudar a entender as consequências de longo prazo deixadas pela pandemia na resistência desses microrganismos, bem como a nos preparar melhor para o enfrentamento de crises semelhantes no futuro”, assegura o médico.

O Dr. Ícaro destaca ainda a importância para a ciência brasileira de integrar um estudo robusto e multicêntrico como esse. “É muito significativa essa troca de experiência com os centros participantes de diversas regiões do mundo. Fazer parte dessa pesquisa reforça o respeito internacional e reafirma a relevância dos pesquisadores brasileiros na comunidade científica mundial”, ressalta.

Data: 30/11/2022 Fonte: HAOC

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