Consumo de carne entre brasileiros diminui durante a pandemia; saiba como substituir a proteína animal sem prejuízo nutricional

São Paulo, 08 de março de 2021 – Segundo pesquisa realizada pelo Ibope e coordenada pelo Good Food Institute Brasil, metade dos brasileiros reduziu o consumo de carne bovina, suína, aves e peixes em 2020. De acordo com Thaís Sarian, nutricionista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, adotar uma rotina alimentar com menor consumo de carne promove vários benefícios para a saúde a longo prazo. “Podemos destacar, entre diversos benefícios, a melhora da saúde intestinal e a redução da ingestão de gorduras saturadas”, explica a especialista.

O hábito de reduzir o consumo de produtos de origem animal sem interrompê-lo completamente é chamado de flexitarianismo. Ainda de acordo com a pesquisa, das pessoas que diminuíram o consumo de carne, ao menos 47% substituíram a proteína animal por vegetais como legumes, verduras e grãos.

Na análise da nutricionista, este é outro ponto positivo da substituição. “Quando ocorre o aumento da ingestão de alimentos vegetais, também aumenta a densidade nutricional dos alimentos e sua consequente ingestão de vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos”, explica Thaís.

O que não pode faltar no meu prato?

Para montar a refeição ideal sem carne, a especialista recomenda a seguinte proporção para um prato vegetariano saudável: 50% de legumes e verduras, 25% de fontes de proteínas vegetais (especialmente presentes no grupo do feijão, lentilha, ervilha, grão de bico, soja) e 25% de carboidratos (como o arroz integral, milho, batata, mandioca, entre outros).

Para quem segue uma dieta ovolactovegetariana, a inclusão de ovos também é bem-vinda. Ter isso em mente é importante para não correr o risco de substituir a proteína animal por carboidratos mais pobres em nutrientes, uma tendência quando a transição de dieta é feita sem o devido acompanhamento profissional.

Outro risco na substituição da carne é optar por receitas e pratos que contenham grande quantidade de laticínios e derivados do leite, já que o consumo excessivo desses produtos eleva substancialmente a ingestão de gorduras saturadas.

“Acontece com frequência da pessoa simplesmente excluir a carne e não mudar o restante da alimentação. Por isso é tão importante um bom planejamento alimentar. Já sabemos que dietas vegetarianas, quando bem planejadas, são saudáveis e nutricionalmente adequadas”, completa a especialista.

Segundo pesquisa do Ibope Inteligência conduzida em abril de 2018, 14% da população brasileira se declara vegetariana. Uma opção de proteína tanto para vegetarianos, quanto flexitarianos dispostos a fazer a transição de dieta é a carne vegetal.

O alerta da nutricionista é com relação à frequência de consumo do produto, já que a carne vegetal também é um alimento processado. “Na hora de comprar, uma dica é dar atenção à lista de ingredientes do produto e optar por aqueles que tenham menor quantidade de aditivos químicos, mas o ideal é que as refeições sejam preparadas em casa e com ingredientes naturais.”

Reposição de B12

Quem pensa em adotar uma alimentação vegetariana estrita (onde não há consumo de alimentos de origem animal), não pode esquecer da vitamina B12, única vitamina que não se pode obter a partir de plantas. Além de ser importante para a formação das células vermelhas do sangue, ela também é necessária para o desenvolvimento e manutenção das funções do sistema nervoso. “Para repor esse nutriente, é necessário fazer a suplementação sempre com acompanhamento profissional, onde também é avaliado o estado de saúde geral do indivíduo”, finaliza a nutricionista.

Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Fundado em 1897 por um grupo de imigrantes de língua alemã, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz é um dos maiores centros hospitalares da América Latina. Com 123 anos de atuação, é referência em serviços de alta complexidade e ênfase em Oncologia e Doenças Digestivas. Para que os pacientes tenham acesso aos mais altos padrões de qualidade e de segurança no atendimento, atestados pela certificação da Joint Commission International (JCI) – principal agência mundial de acreditação em saúde -, o Hospital conta com um corpo clínico renomado, formado por mais de 4 mil médicos cadastrados ativos, e uma das mais qualificadas assistências do país. Sua capacidade total instalada é de 805 leitos, sendo 582 deles na saúde privada e 223 no âmbito público. Desde 2008, atua também na área pública como um dos seis hospitais de excelência do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde.

Hospital Alemão Oswaldo Cruz – https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/

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Data: 08/03/2021

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