AVC pode ser sintoma de vasculite

Neste caso, doença só é detectada com exames de imagem como tomografia, ressonância magnética e angioressonância

São Paulo, 22 de agosto de 2022 – Recentemente o ator Ashton Kutcher anunciou estar enfrentando um quadro de vasculite com acometimento da visão, audição e do equilíbrio. Apesar de não ser o caso do ator, uma das possíveis manifestações da doença é o acidente vascular encefálico. Apesar de ser rara e de haver poucos estudos epidemiológicos que definam precisamente dados como incidência, a vasculite, doença inflamatória que acomete os vasos sanguíneos, e pode, dependendo do subtipo, causar um acidente vascular cerebral (AVC).

De acordo com a Dra. Juliana Silvatti, reumatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, quando há acometimento cerebral como primeira manifestação, a vasculite só é diagnosticada depois que o suprimento de sangue que vai para o cérebro é interrompido ou drasticamente reduzido. “Quando o AVC é provocado pela vasculite, acontece um estreitamento ou até mesmo um fechamento do vaso e para que o diagnóstico seja feito são necessários dados clínicos do paciente associados a exames laboratoriais e de imagem como tomografia computadorizada e/ou ressonância magnética que permitem tanto excluir outras hipóteses quanto confirmar esse diagnóstico. Um caso em que podemos levantar essa suspeita é quando o paciente apresenta um AVC sem os fatores de risco tradicionais, tais como colesterol alto, hipertensão e diabetes. Geralmente, o tratamento emergencial é feito à base de corticoides e depois são acrescidos imunossupressores, que podem ser sintéticos ou biológicos, dependendo da gravidade e da extensão do quadro”, esclarece.

Existem vários tipos de vasculite, de acordo com a especialista, que são classificados pelo tamanho dos vasos como vasculites de pequenos, médios e grandes vasos. Outra classificação utilizada diz respeito à causa. As Vasculites Primárias não têm uma razão específica e são, em geral, de origem autoimunes. Já as Secundárias, podem ser causadas por outras doenças autoimunes, como Lúpus e Artrite Reumatoide, enfermidades infecciosas, e até mesmo pelo uso de determinados tipos de medicação como antibióticos, particularmente os beta-lactâmicos, anti-inflamatórios não-esteroides e diuréticos.

No caso da Vasculite Primária não há cura, atualmente, no entanto, assim como a maioria das doenças reumáticas autoimunes, tem tratamento. O processo é de longa duração e tem como objetivo controlar a doença por meio de medicações que minimizem seus efeitos, com manutenção a longo prazo e consultas frequentes com o médico que acompanha o caso, além do uso de medicações, provavelmente, pelo resto da vida. Nas Vasculites Secundárias, o tratamento é direcionado para a causa, podendo apresentar muito boa resposta.

A reumatologista ressalta ainda que as vasculites podem acometer pequenos, médios e grandes vasos. “No caso dos pequenos, são impactados aqueles microscópicos, e pode se desenvolver em diversas partes do corpo. Quando agride o pulmão, pode apresentar sintomas como falta de ar, tosse, um quadro semelhante à uma asma. Quando compromete os rins, pode levar a uma insuficiência renal. No momento em que acomete vasos médios, ataca principalmente aqueles responsáveis pela irrigação visceral e apresenta sintomas como dores abdominais, especialmente após a ingestão de alimentos” afirma. Segundo a especialista, no caso dos grandes vasos, atinge principalmente aorta e os seus ramos e, de acordo com cada subtipo, pode desenvolver sintomas como dor nos membros inferiores e superiores (geralmente mediante esforço), cefaleia, dor durante a mastigação e AVC.

A recuperação de uma vasculite depende da causa, da extensão e do tempo que demora para ser diagnosticada. “Pelo fato de ser uma doença bastante complexa e pela amplitude de órgãos e tecidos que pode atingir, as sequelas diferem em diversos níveis. No caso de uma vasculite de pequenos vasos no rim, por exemplo, se não tratada, pode evoluir para uma insuficiência renal. Quando atinge os olhos e conseguimos tratar precocemente pode não ocorrer nenhuma sequela, mas se diagnosticada tardiamente pode causar a perda definitiva de visão”, exemplifica e conclui: “As vasculites não fazem parte de exames de check-up, por isso depende de que os médicos que acompanham de rotina os pacientes, façam a suspeita clínica e encaminhem para investigação com o reumatologista para que essa doença seja confirmada ou descartada de forma precoce”, aconselha a especialista.

Data: 22/08/2022

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