A importância da nutrição no tratamento de pacientes com câncer

São Paulo, 29 de março de 2021 – O tratamento oncológico requer atendimento multidisciplinar e individualizado. Um profissional importante no acompanhamento do paciente é o nutricionista. É ele quem irá traçar o plano alimentar de cada um, para garantir que todas as necessidades nutricionais sejam preservadas durante o processo terapêutico do paciente oncológico.

Além disso, a manutenção da boa alimentação é fundamental para o controle dos sintomas da doença e dos efeitos colaterais dos tratamentos. De acordo com Kátia Braz, nutricionista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a inapetência e a dificuldade de aceitar alguns alimentos, características do tratamento oncológico, precisam ser acompanhadas de perto para garantir que as drogas administradas para o combate à doença tenham o efeito planejado e não prejudiquem o estado nutricional dos pacientes.

A nutricionista explica que o ideal é que o acompanhamento tenha início logo que é feito o diagnóstico do câncer e deve seguir durante todas as etapas do processo que pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, transplante, imunoterapia, por exemplo. Com um quadro nutricional adequado, o paciente vai responder de forma mais positiva às intervenções terapêuticas, inclusive com menos efeitos colaterais, e para evitar também a síndrome multifatorial chamada caquexia, que ocorre em até 80% dos pacientes com câncer avançado. A caquexia é caracterizada pela perda de tecido adiposo e muscular, associada ao processo inflamatório sistêmico que tem como consequência a redução de massa corpórea. “Para prevenção da caquexia, o ideal é que seja feito uma otimização dos cuidados nutricionais com um especialista, seguir a orientação da dieta adequada e individualizada, além de controlar os sintomas causados pela doença e pelo tratamento (náuseas, vômitos, plenitude pós-prandial, disfunção intestinal e fadiga). Esse acompanhamento é fundamental para garantir uma boa qualidade de vida durante e após a cura da doença”, comenta a nutricionista.

Higienização dos alimentos

Outro ponto importante é garantir a higienização máxima de tudo o que o paciente ingere. A agressividade dos tratamentos pode causar diminuição da imunidade, tornando a pessoa mais suscetível às infecções. Dessa forma, se mal lavados, os alimentos podem conter microrganismos causadores de infecções alimentares. “Todos os insumos devem ser lavados em água corrente e depois colocados de molho em soluções a base de cloro. Por isso, os alimentos crus devem ser evitados, como as carnes malpassadas, peixes e ovos com a gema mole”, explica a nutricionista.

Quimioterapia

Um dos tratamentos de câncer mais comuns é a quimioterapia e, para auxiliar na eficácia do procedimento, logo no início é essencial que o nutricionista faça uma avaliação do quadro. “O profissional deve avaliar todas as condições do paciente, verificar o que ele está acostumado a comer, restrições, alergias, se tem diabetes, hipertensão, doenças crônicas e hepáticas. Cada tratamento é individualizado e a alimentação deve ser adaptada conforme as necessidades do paciente”, diz Kátia.

Colostomia e Ileostomia

A colostomia e a ileostomia são procedimentos cirúrgicos para pacientes com tumores do trato gastrintestinal. No caso da colostomia, o paciente passa por uma cirurgia de abertura do cólon através da parede abdominal, dessa forma, a parte do intestino grosso é exteriorizada e uma bolsa coletora é colocada para a saída das fezes. Já a ileostomia é o procedimento em que é feita uma ligação entre o intestino delgado e a parede abdominal, onde também é colocada uma bolsa coletora para a eliminação das fezes e gases. Estes orifícios artificiais podem ser temporários ou definitivos.

A alimentação dos pacientes que fazem a cirurgia de colostomia ou ilestomia é diferenciada e depende do funcionamento da bolsa que é colocada no procedimento. “No caso da ileostomia, a consistência das fezes é mais liquida, então, o paciente pode perder mais micronutrientes como as vitaminas e os minerais, porque há dificuldade para absorção. Portanto, é importante ter uma alimentação individualizada em que o nutricionista vai repor os sais minerais com bebidas isotônicas, por exemplo, para que ele possa repor tanto o líquido quanto esses micronutrientes. Com a bolsa de colostomia, as fezes apresentam consistência mais pastosa. Dessa forma, a alimentação precisa ser de acordo com os sintomas que o paciente está apresentando, se tiver mais dificuldade em evacuar, por exemplo, a dieta precisa ser mais laxativa e sempre com comidas que o paciente consiga fazer a higienização. “Alguns alimentos, como a maçã, que oferecem um odor mais agradável às fezes são coringas que ajudam no tratamento. Outros precisam de mais cuidado, como em casos de comidas que dão muitos gases e a bolsa fica estufada, como peixes, ovos, repolhos e brócolis. Essas devem ser consumidos com parcimônia”, explica a nutricionista.

Mucosite

No tratamento do câncer, algumas medicações podem levar ao desenvolvimento de mucosite, uma inflamação na área da boca, faringe e todo trato gastrintestinal. Nesses casos, é fundamental que o paciente procure uma orientação odontológica. No entanto, em relação à alimentação, Kátia explica que o paciente deve realizar pelo menos cinco ou seis refeições ao dia, de 3 em 3 horas. Preparar a comida na consistência que o paciente consiga tolerar da melhor forma e que ofereça menos dificuldade para mastigar ou engolir como purês, suflês, mingau, pudins, gelatina, carne moída, etc. Importante também evitar alimentos secos, salgados e ácidos. Nos casos mais graves, preferir alimentos líquidos, liquidificados, frios, gelados ou em temperatura ambiente.

Todos os alimentos têm seus benefícios e, para o paciente oncológico, o consumo de todos os nutrientes na proporção correta é fundamental. “Sem os carboidratos, por exemplo, nós ficamos sem energia, e, a fadiga, que é um dos efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia, pode agravar. Importante também que na dieta contenha as proteínas tanto animais quanto vegetais, como carnes, ovos, leites e grãos, e as vitaminas e minerais, presentes nas frutas. O equilíbrio de todos os nutrientes ajuda o organismo a se fortalecer, durante e após o tratamento”, diz.

“A alimentação além de prazerosa, ajuda no desenvolvimento do organismo e previne várias doenças. É fundamental que o paciente que se curou do câncer tenha atenção ao que ingere. Uma alimentação pós tratamento deve ser pobre em açúcar, produtos industrializados e rica em produtos in natura, como frutas e verduras, complementando com a prática de atividades físicas”, conclui Kátia.

Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Fundado em 1897 por um grupo de imigrantes de língua alemã, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz é um dos maiores centros hospitalares da América Latina. Com 123 anos de atuação, é referência em serviços de alta complexidade e ênfase em Oncologia e Aparelho Digestivo. Para que os pacientes tenham acesso aos mais altos padrões de qualidade e de segurança no atendimento, atestados pela certificação da Joint Commission International (JCI) – principal agência mundial de acreditação em saúde -, o Hospital conta com um corpo clínico renomado, formado por mais de 4 mil médicos cadastrados ativos, e uma das mais qualificadas assistências do país. Sua capacidade total instalada é de 805 leitos, sendo 582 deles na saúde privada e 223 no âmbito público. Desde 2008, atua também na área pública como um dos seis hospitais de excelência do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde.

Hospital Alemão Oswaldo Cruz – https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/

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Comunicação Corporativa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Autor: Hospital Alemão Oswaldo Cruz Data: 07/04/2021

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