De ponta a ponta | Hospital Alemão Oswaldo Cruz

De ponta a ponta

Embora apresentem sintomas semelhantes, a síndrome do intestino irritável e a doença inflamatória intestinal têm causas e tratamentos bem diferentes.

Dor abdominal, diarreia e constipação são indícios comuns de distúrbios intestinais e, muitas vezes, causam confusão quanto à sua origem. Dois dos problemas mais frequentes dessa região – a síndrome do intestino irritável (SII) e a doença inflamatória intestinal (DII) – não são tão fáceis de serem diferenciados, mas apresentam distinções importantes, principalmente para determinar diagnóstico e tratamento.

A SII, por exemplo, não é uma doença, mas um conjunto de sintomas que não causa nenhuma mudança na fisiologia do intestino, diferentemente da DII. A SII não evolui para uma DII, e nem quem sofre da primeira é mais propenso a desenvolver a segunda. Para entender melhor o que é cada uma, conversamos com o Dr. Arceu Scanavini Neto, cirurgião do aparelho digestivo no Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Confira a seguir:

SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL (SII)

O QUE É

Um conjunto de sintomas – dor e inchaço abdominal, diarreia ou prisão de ventre, e sensação de que o intestino não foi esvaziado completamente – localizados na região intestinal, mas que não estão relacionados a nenhuma lesão ou inflamação na mucosa do cólon. É comumente confundida com a intolerância à lactose ou ao glúten.

CAUSAS

As paredes dos intestinos são revestidas de músculos que se contraem e relaxam para digerir e absorver os alimentos, formar e expelir as fezes. Nas pessoas com SII, essas contrações são mais fortes e duram mais tempo, causando sintomas como dor e constipação. Uma dieta pobre em fibras e baixa ingestão de água favorecem o quadro. O especialista ressalta que, além das contrações musculares, a SII pode ser causada por outros distúrbios, como o desbalanço entre neurotransmissores e alteração da flora intestinal.

DIAGNÓSTICO

O paciente recebe o diagnóstico de SII quando outras doenças com sintomas semelhantes são descartadas. “Não há um exame que comprove a síndrome, mas são feitos exames para afastar outros diagnósticos. Se excluídos, com base nos dados de história clínica, exame físico e queixas, o médico formula como hipó- tese o diagnóstico de SII”, explica o especialista.

TRATAMENTO

Envolve mudanças na dieta, com uma maior ingestão de fibras e água; no estilo de vida e, em alguns casos, o uso de medicação para aliviar os espasmos intestinais.

DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL (DII)

O QUE É

Uma doença crônica que inflama os intestinos em intensidades variadas. Há dois tipos principais de DII: a doença de Crohn, que pode afetar qualquer parte do trato digestivo, e a retocolite ulcerativa, que afeta o intestino grosso.

CAUSAS

As DIIs podem estar associadas a fatores alimentares ou genéticos, ao tabagismo e até ao uso de determinados medicamentos. Os sintomas mais comuns são diarreia, dor e distensão abdominal, sangramento, perda de apetite e de peso. “Uma parcela significativa dos pacientes também apresenta dor ou secreção anal. Além disso, as DIIs podem acometer a pele, as articulações e os olhos”, explica o Dr. Scanavini.

DIAGNÓSTICO

É comprovado com exames como endoscopia e colonoscopia; raios X, tomografia ou ressonância magnética; e exames fecais e de sangue. “Em geral, se o paciente apresenta um quadro crônico de diarreia que persista por mais de três meses, existe a possibilidade de ele estar sofrendo de uma doença inflamatória intestinal”, explica o cirurgião. Ele ressalta que, na presença de outros sintomas, o paciente deve procurar o médico assim que possível. “Sangramento intestinal deve ser comunicado ao especialista com urgência e o exame proctológico é uma obrigatoriedade nessa situação.”

TRATAMENTO

Há diversas opções que devem ser discutidas em função de vantagens e desvantagens que cada uma apresenta. Elas podem ser adotadas individualmente ou o médico pode preferir usar terapias associadas, com anti-inflamatórios, imunossupressores e antibióticos. O Dr. Scanavini ressalta, ainda, a importância da prática de atividade física, do controle do estresse e da avaliação psicológica e nutricional. Em alguns casos, pode ser necessária cirurgia. “É importante discutir com o paciente as opções logo que a doença for diagnosticada. Mas vale destacar que o tratamento, seja ele medicamentoso ou cirúrgico, não leva à cura na maioria dos casos. Como em qualquer doença crônica, o objetivo é manter os sintomas controlados”, diz o médico.

Data: 05/04/2018
Fonte: CRISTINA BALERINI