Trombose pode levar a embolia pulmonar e matar em 30% dos casos

Complicações advindas da doença podem levar até a morte súbita. Saiba como identificar os primeiros sinais e se proteger da trombose.

A trombose é uma doença causada pela formação de trombos (coágulos) nos vasos sanguíneos, que provoca sua obstrução e prejudica a circulação correta do sangue. O coágulo bloqueia o fluxo de sangue, causando dor ou edema na região. A Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH, na sigla em inglês) calcula que a trombose é a causa de uma em cada quatro mortes no mundo. Segundo o Ministério da Saúde, a condição é a terceira maior causa de morte cardiovascular no país.

De acordo com Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH), a cada ano quase 300 mil brasileiros são acometidos por algum fenômeno trombótico. Já um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), durante o período de janeiro de 2012 a maio de 2022, revela mais de 425 mil brasileiros precisaram ser hospitalizados para tratar tromboses venosas. O estudo revela que, em mé dia, 113 indivíduos são admitidos diariamente nos hospitais da rede pública para receber tratamento para essa condição preocupante.

A doença atinge as veias de qualquer parte do corpo, mas principalmente nas veias das pernas. Caso esse coágulo se desprenda e se movimente na corrente sanguínea, a doença pode evoluir para uma embolia pulmonar, uma complicação grave e fatal em 30% dos casos. Entre maio de 2021 e abril de 2022, estima-se que houve quase 78 mil internações de pacientes nos serviços públicos em decorrência da trombose ou embolia pulmonar.

Há dois tipos de trombose arterial e venosa. A primeira ocorre quando há a formação de coágulos que bloqueiam as artérias e é a forma mais grave de trombose, pode ser consequência de episódios como infartos do miocárdio e AVCs (acidentes vasculares cerebrais). De acordo com a SBACV, a trombose arterial tem prevalência geral em cerca de 4% da população, aumentando proporcionalmente com a faixa etária, variando de 0,9% abaixo dos 50 anos a até 14,5% acima de 70 anos.

Já a trombose venosa, de acordo com a SBACV, de maneira geral, representa cerca de 60 casos para cada 100 mil habitantes por ano. O problema é mais prevalente e ocorre quando há obstrução de veias principais ou secundárias, acometendo especialmente os membros inferiores. Os coágulos podem se desprender, totalmente ou em fragmentos, e atingir os pulmões, causando embolia pulmonar, pode ser fatal. Por isso é tão importante trabalhar na prevenção da doença.

Dia Mundial da Trombose

Por se tratar de uma doença perigosa, que pode causar complicações graves, profissionais de saúde promovem anualmente, no dia 13 de outubro, o Dia Mundial da Trombose para alertar e informar sobre a doença aumentar a consciência sobre a trombose entre profissionais da saúde, pacientes e entidades do governo e do terceiro setor.

A data foi criada em 2014 como uma iniciativa da Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH) com o objetivo de chamar atenção para a educação e a prevenção, por meio de ações, eventos, campanhas de mí dia e fóruns educacionais. No Brasil, a campanha é promovida por entidades médicas, entre as quais se destaca a Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH).

Muitos monumentos no mundo inteiro, como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e prédios como a cúpula do Senado Federal, em Brasília, recebem iluminação especial nas cores azul e vermelho (simbolizando o sangue arterial e o venoso). Sob o lema “A Vida Deve Fluir”, ressaltando a importância dos quadros de trombose no Brasil, a SBTH realizará seu segundo jantar beneficente em novembro de 2023, no hotel Rosewood, em São Paulo, com a participação de importantes instituições, especialistas e artistas.

Sintomas variam de acordo com o tipo de trombose

A trombose é uma condição que ocorre quando um coágulo se forma no sistema circulatório, impedindo o fluxo sanguíneo, causando dor e inchaço na região afetada. O coágulo pode se formar nas artérias, que levam o sangue oxigenado para todas as partes do corpo, ou nas veias, que trazem o sangue de volta, fazendo com que receba uma nova “carga” de oxigênio e volte a circular pelas artérias.

“Os coágulos acabam impedindo a circulação total ou parcial do sangue, causando dor e inchaço no local afetado”, afirma Erich Vinícius de Paula, médico hematologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Além destes sintomas, uma parte ou a totalidade do coágulo pode se soltar e “viajar” até os pulmões por meio da circulação, causando uma condição denominada embolia pulmonar. “Esta é uma complicação ainda mais grave, pois dependendo do tamanho deste coágulo, pode levar até a morte súbita do paciente”, alerta.

Os sintomas de trombose variam conforme o local onde ela ocorre. Os sintomas mais comuns da trombose são edema e dor no local afetado. Já a trombose nas pernas costuma causar dor nas panturrilhas, que podem se espalhar para o pé e tornozelo, ocasionando inchaço, sensação de peso e calor nas pernas, além de vermelhidão na região.

Para se proteger da doença e de suas complicações, é importante entender suas causas e estar atento aos primeiros sinais. O tipo mais comum de trombose venosa é a chamada trombose venosa profunda (TVP), que ocorre quando um coágulo se forma em uma veia profunda localizada nas pernas.

Já o tromboembolismo venoso (TEV), termo utilizado para definir as tromboses que ocorrem nas veias das pernas, é mais letal devido ao risco de embolia pulmonar. Entre as principais causas de morte cardiovascular no mundo, Dr. Erich destaca que o TEV fica atrás apenas das tromboses arteriais, que causam os infartos (quando acontecem nas artérias do coração) e os AVC (acidentes vasculares cerebrais, popularmente conhecidos como “derrames”, que são tromboses em artérias do cérebro).

“De fato, o infarto e o AVC são as duas principais causas de morte no mundo, de modo que, em conjunto, doenças relacionadas a algum tipo de trombose respondem hoje por cerca de um quarto de todas as mortes que ocorrem diariamente”, afirma.

Segundo o médico e professor, os principais sintomas da TVP são: inchaço da perna, tornozelo ou pé, normalmente de um lado só, e dor e pele mais quentes no local afetado do que nas áreas circundantes. Já a embolia pulmonar (EP) exige ainda mais atenção e tem como sintomas principais a falta de ar e dor no peito, em geral súbitas, mas que podem ocorrer de forma progressiva. Dr. Erich comenta que por estes sintomas serem comuns em outros quadros, é importante identificá-los quando fugirem do usual e procurar atendimento médico.

No caso das tromboses arteriais, os sintomas costumam ser mais dramáticos, incluindo dor súbita e mal localizada na região do peito, que muitas vezes se espalha para o pescoço e braços no caso do infarto, e sintomas neurológicos variados no caso do AVC, incluindo alterações na consciência e na capacidade motora súbitas. “Há, no entanto, uma grande diversidade de sintomas que podem variar de acordo com o paciente”, pondera.

Trombose Arterial: pacientes com diabetes tipo 2 têm risco aumentado

Especialista destaca importância de hábitos saudáveis na prevenção da doença que deve ser diagnosticada precocemente

A trombose arterial, também denominada de Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP), é uma condição causada pela formação de coágulos sanguíneos nas artérias, vasos que transportam o sangue oxigenado do coração para o corpo. Um estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology, em 2019, apontou que pacientes com diabetes tipo 2 têm um risco aumentado de desenvolver trombose arterial em comparação com pacientes sem diabetes. Além disso, os coágulos formados comprometem o fluxo sanguíneo podendo levar a complicações como embolia pulmonar, infarto ou Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O médico cirurgião endovascular Fábio Henrique Ribeiro de Souza, do Hospital Encore, parte do grupo Kora Saúde, afirma que é necessário estar atento aos primeiros sintomas para evitar a evolução da doença. “A oclusão dos vasos sanguíneos faz com que, inicialmente, o sangue não chegue nas extremidades das pernas, causando sintomas como dor, esbranquiçamento da pele, perda de pelos, atrofia (diminuição do tamanho da perna) e úlceras (feridas)”, detalha.

O diagnóstico de DAOP deve ser feito com um cirurgião vascular após o surgimento dos primeiros sintomas. Em casos mais brandos, o tratamento pode ser feito com medicamentos antiplaquetários, que afinam o sangue. Em casos mais severos, pode ser necessário a realização de pontes cirúrgicas ou colocação de stents endovasculares.

“Na modalidade endovascular, a artéria é puncionada com uma agulha e anestesia local e, por meio dela, é colocado um stent no segmento ocluído restabelecendo o fluxo sanguíneo. Já na cirurgia aberta, é realizada uma ponte, na qual o segmento da artéria que está saudável é conectado à parte ocluída, criando um “atalho” para o sangue fluir por toda a perna”, explica o especialista.

Em casos mais extremos, pode ser necessária a amputação quando há infecção extensa e/ou o comprometimento muito significativo do suprimento sanguíneo do membro. “Geralmente, esta conduta só é adotada nos casos em que a doença avançou por um longo período de tempo ou quando um paciente se nega a melhorar seus hábitos mesmo após o diagnóstico. Por isso, é tão importante o acompanhamento médico, para que casos extremos sejam evitados”, conclui o cirurgião.

De acordo com o médico, normalmente, o entupimento das artérias está associado à aterosclerose, presença de placas de gordura nos vasos que causam a obstrução. Dessa forma, além dos pacientes com diabetes, pessoas com mais de 70 anos, tabagistas e portadores de colesterol alto, ou hipertensão arterial sistêmica são mais suscetíveis à doença.

“A melhor forma de se prevenir é controlar os fatores de risco da doença com bons hábitos como praticar exercícios, ter uma boa alimentação, cessar o tabagismo e controlar doenças como diabetes e pressão alta”, afirma Fábio Henrique.

Fatores de risco para a trombose

A trombose pode acontecer de maneira espontânea, mas geralmente está ligada a fatores de risco que favorecem o seu desenvolvimento, como obesidade, uso de hormônios, gestação, pós-parto, idade, tabagismo, pós-cirúrgico e histórico familiar de trombose anterior. As tromboses têm causa multifatorial, mas algumas pessoas apresentam maior propensão para o seu desenvolvimento.

Indivíduos com mais de 65 anos, com câncer ou doenças crônicas e agudas, AVC (Acidente Vascular Cerebral), em recuperação pós-operatório, gestantes, portadores de trombofilias (tendência a formação de trombos

No caso das tromboses venosas, os fatores de risco incluem períodos longos de imobilização, como internações ou viagens prolongadas, uso de determinados hormônios, gestação, câncer, obesidade, tabagismo, além de tendência familiar. Já as tromboses arteriais estão associadas a fatores como diabetes, hipertensão, alterações do colesterol, obesidade, sedentarismo, entre outros.

“Um ponto essencial é conhecer os fatores de risco para o TVP e EP e informá-los aos profissionais da saúde sobre sua presença em caso de suspeita de trombose. Isso pode ajudar no diagnóstico preciso e rápido, que é essencial para minimizar o risco de sequelas e até mesmo o risco de morte”, diz o Erich Vinícius de Paula

Segundo ele, embora não sejam indicadas para todas as pessoas, aqueles que apresentam fatores de risco adicionais e pacientes que já apresentaram tromboses, podem se beneficiar do uso de meias elásticas ou até mesmo de anticoagulantes profiláticos em situações de maior risco.

Tratamento pode durar até 6 meses

Nos casos em que a prevenção não impede a ocorrência das tromboses venosas, o tratamento é baseado no uso de anticoagulantes e deve ser iniciado o quanto antes para evitar complicações graves, como a embolia pulmonar. A trombose tem cura e seu tratamento consiste em barrar o aumento do coágulo, remover o trombo e prevenir a embolia ou danos definitivos nas válvulas venosas. Em geral, o tratamento é realizado com substâncias anticoagulantes que dificultam a formação e crescimento do trombo, impossibilitando o avanço da obstrução das veias e a piora da doença.

O tempo de tratamento varia de acordo com a gravidade do caso. Em média, costuma durar seis meses, e após este período cada paciente deve passar por uma avaliação médica para analisar risco de novas tromboses e definir a melhor estratégia preventiva, que pode incluir a adoção das medidas mencionadas acima durante momentos de maior risco, até o uso continuado de anticoagulantes em casos em que os fatores de risco forem muito relevantes.

Segundo Sascha Werner Schlaad, cirurgião vascular do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é necessário que as pessoas acometidas pelo problema busquem por acompanhamento médico a fim de realizar o tratamento adequado de forma precoce e, assim, evitar a progressão grave da trombose. O tratamento deve ser individualizado e envolve a administração de medicações anticoagulantes, em alguns casos o uso de meias de compressão também é indicado.

Prevenção:

5 dicas para evitar a trombose

Diante da gravidade é importante sempre estar atento ao seu corpo e consultar um médico regularmente para o diagnóstico e tratamento necessário. Consultar um médico para tratar a trombose desde os primeiros sinais pode prevenir o agravamento da doença.

De acordo com Dr. Erich, a prevenção de ambos os tipos de trombose passa sobretudo pela adoção de um estilo de vida saudável, com controle de peso e prática de exercícios. No caso específico das tromboses venosas e da embolia pulmonar, os pacientes devem discutir com seus profissionais de saúde a necessidade de medidas preventivas adicionais em situações especiais.

A grande maioria dos casos pode ser evitada com a introdução de hábitos de vida saudáveis, como alimentação balanceada, hidratação corporal com ingestão regular de água, controle de peso, prática regular de atividade física, consumo moderado de álcool e não fumar, entre outras, e, quando necessário, o uso de anticoagulante s recomendados pelo médico.

Dr. Erich destaca que cada vez mais a medicina trabalha com a participação mais ativa de pacientes no cuidado com a saúde, motivo pelo qual estas iniciativas educativas estão ficando mais comuns. “Pacientes e profissionais devem ser aliados no cuidado com a saúde de cada um. Por isso, informação e diálogo são essenciais”, conclui.

Confira abaixo cinco dicas para incluir na sua rotina e auxiliar na prevenção da doença:

Beba bastante água: se hidrate. Beba de 1,5 a 2 litros por dia de água. Além de manter a pele hidratada, o organismo fica mais saudável.

Evite ficar muito tempo sentado: ao ficar muito tempo na mesma posição, a circulação sanguínea fica prejudicada. Por isso, levante e faça caminhadas, mesmo que em um pequeno espaço.

Meias de compressão: o uso das meias de compressão é recomendado pois proporcionam o alívio das dores e inchaços. A terapia de compressão atua como uma camada muscular que pressiona suavemente as paredes das veias, ao mesmo tempo em que permite o fechamento das válvulas, fazendo com que o fluxo de sangue volte para o seu estado normal. Existem diversos modelos de meias de compressão no mercado e seu uso pode ser preventivo.

Pratique exercícios: praticar exercícios físicos é importante e auxilia muito na nossa saúde, reduzindo o estresse, aumentando a sensação de bem-estar, melhorando a qualidade do sono e reduzindo as dores no corpo.

Evite o consumo de álcool, cigarro e comidas gordurosas: é fundamental evitar o consumo de álcool e tabaco em excesso. Isso vale também para alimentos gordurosos e salgados, que contribuem para a retenção de líquidos, o que pode potencializar inchaços nas pernas.

Data: 13/10/2023 Fonte: Vida & Ação - RJ

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