TPM: como usar essa ultrassensibilidade e quando se preocupar com os sintomas

TPM não é só trevas: dá pra usá-la a nosso favor. Mas se o desconforto é muito grande, pode significar algo mais sério. Tudo que você precisa saber para lidar melhor com os sintomas pré-menstruais.

Irritabilidade, cansaço, choro fácil, uma certa tristeza, aumento do apetite, inchaço, dor de cabeça… É normal sentir algum grau de desconforto emocional ou físico alguns dias antes do período menstrual.

Além desses incômodos, a TPM pode afetar a vida das mulheres das mais variadas formas e as flutuações hormonais são as grandes responsáveis por isso. “Há uma queda na produção dos hormônios sexuais, o estrogênio e a progesterona, que pode afetar a produção de serotonina, um neurotransmissor ligado ao bem-estar”, esclarece Maria Laura França, ginecologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

“A baixa concentração hormonal deste período impacta até nosso poder de decisão”

Como consequência, sofremos com alterações de humor, ficamos mais indispostas e aumentamos o desejo por doces. “Além disso, a baixa concentração hormonal deste período provoca uma redução na capacidade de perceber o medo e diminuição das habilidades sociais, impactando nosso poder de decisão”, diz a especialista.

Considerando que a duração média da TPM é de 10 dias, estima-se que as mulheres, entre a primeira menstruação e a menopausa, passem um terço de suas vidas neste estado. Como ter mais bem-estar neste período? E, mais importante, como diferenciar se é TPM ou algum outro problema mais grave?

A psiquiatra Juliana Cavalsan explica que na TPM os sintomas são de intensidade leve e por isso tem baixo impacto na vida da mulher. Ou seja, apesar dos desconfortos, ela continua produtiva, mantendo suas atividades sem maiores prejuízos. Já sintomas mais intensos podem indicar outra condição, chamada transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), que acomete cerca de 3% a 8% das mulheres e afeta o cotidiano de forma muito mais severa, comprometendo trabalho, estudo e relacionamentos.

Desconfortos provenientes da TPM e do TDPM têm de cessar até o fim da menstruação. “Caso se prolonguem, pode ser um sinal de alerta para a instalação de doenças crônicas”, enfatiza Maria Laura França. Essa é uma observação importante, pois se a pessoa tem uma doença psiquiátrica (a depressão, por exemplo) ou clínica (como a dor de cabeça crônica) os sintomas irão piorar nesse período.

“Pare e escute! O autoconhecimento é a ferramenta mais importante para lidar com este período”

Para facilitar o entendimento da situação e estabelecer um diagnóstico preciso, é importante se observar e anotar como se sente durante o mês inteiro. Reconhecer e perceber o funcionamento do próprio corpo é fundamental para que a mulher se prepare e faça as mudanças no estilo de vida tão fundamentais para a melhora dos sintomas.

Entre elas, a adoção de uma dieta saudável (com baixa ingestão de alimentos ricos em açúcares, sal e industrializados), redução de consumo de café (que pode predispor o aparecimento de sintomas como ansiedade e irritabilidade), prática regular de atividade física (exercícios aeróbicos são os mais adequados, principalmente quando são realizados junto à natureza) e psicoterapia.

Em relação às medidas farmacológicas, as opções incluem inibidores seletivos de recaptação de serotonina; anticoncepcionais hormonais (como DIU e pílula) e, em casos de exacerbação dos sintomas psíquicos, o uso de antidepressivos.

Importância do autoconhecimento

Para a ginecologista Maria Laura, na maioria das vezes, tudo que a mulher precisa é apenas um tempo para si. “Estar conectada com o seu ciclo e com suas emoções pode amenizar a ansiedade por entender que a flutuação hormonal pode trazer sintomas adversos, mas são sensações passageiras e há como lidar com elas de forma saudável”, diz.

A especialista ressalta ainda que, talvez, a TPM traga o momento de introspecção que o seu feminino precisa. Brigas intensas com o parceiro ou parceira neste período podem ser um sinal para rever o seu relacionamento. Intolerância com os colegas de trabalho podem trazer a questão: meu trabalho me completa? “Nunca deixe de refletir acerca das suas sensações e emoções. É o método que nosso corpo encontra para conversar conosco. Pare e escute! O autoconhecimento é a ferramenta mais importante para lidar com este período”, afirma.

Data: 15/12/2022 Fonte: UOL Notícias - SP

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