Tomar remédio sem água dá problema? Veja mitos e verdades

Laboratórios definem as dimensões das apresentações a partir da necessidade de ação, seja ela rápida ou mais prolongada.

Saúde | Giovanna Borielo, do R7

Diferentes apresentações dos remédios interferem no tempo de ação

Você já parou para pensar por que os medicamentos têm diferentes formatos?

Comprimidos , cápsulas, drágeas em formatos redondos ou ovais, maiores, menores, em disco ou mais espessos… As particulareidades de cada apresentação podem influenciar principalmente no tempo de ação do fármaco no organismo, explica o biólogo Fabiano Agrela, membro da Royal Society Biology.

“O formato dos comprimidos (redondo, oval, disco), assim como ele é concebido e sua composição podem afetar a área de superfície e a taxa e velocidade de dissolução, assim como a absorção no corpo. Isso acontece porque diferentes formatos possuem diferentes áreas de superfície, o que pode influenciar a rapidez com que o medicamento se dissolve e é absorvido”.

Agrela afirma que comprimidos redondos podem ter uma área de superfície menor, levando a uma liberação mais lenta.

Já os comprimidos ovais ou em forma de disco podem ter áreas superficiais maiores, o que pode acelerar a liberação do ingrediente.

A espessura também pode interferir dispensa do medicamento.

Comprimidos mais espessos podem demorar mais para dissolver completamente, resultando em uma liberação mais lenta dos componentes, enquanto os comprimidos mais finos tendem a desmanchar mais rapidamente e, consequentemente, tendo uma ação mais ágil.

Ele alega, ainda, que alguns medicamentos possuem formatos específicos.

“Por exemplo, os medicamentos de libertação prolongada têm, frequentemente, formatos especializados para permitir uma libertação gradual e controlada ao longo do tempo. Além disso, alguns remédios podem ter revestimentos especiais para proteger o estômago ou aumentar a absorção”.

Agrela diz, ainda, que as formas dos medicamentos podem influenciar no melhor horário para tomá-los.

Remédios de liberação prolongada podem ser mais adequados para ingestão à noite, enquanto os medicamentos que necessitam de ação rápida podem ser tomados pela manhã.

Tipos de apresentações

O farmacêutico e naturopata Jamar Tejada esclarece o funcionamento das principais apresentações de medicamentos oferecidos de forma sólida: comprimido, cápsula e drágea.

Comprimido:

É feito a partir da compressão dos fármacos e componentes adjuvantes (diluentes, estabilizadores, desintegrantes e lubrificantes), em equipamentos específicos, podendo ser feitos em diversos formatos. Já a pílula, termo já em desuso é semelhante ao comprimido, possui o formato esférico.

Normalmente, os comprimidos funcionam melhor para medicamentos que possuem ação por via oral. Existem diversos tipos de comprimidos: de ação lenta/prolongada, mastigáveis, efervescentes, de revestimento entérico (substância que protege para não machucar a mucosa do estômago e começar a agir no intestino) e sublinguais.

“Se um comprimido liberar o medicamento muito rapidamente, seu nível no sangue pode se tornar muito elevado e causar uma resposta excessiva. Se o comprimido não liberar o medicamento com rapidez suficiente, grande parte dele pode ser eliminada nas fezes sem ter sido absorvida, e os níveis sanguíneos podem ficar muito baixos. Os laboratórios farmacêuticos formulam o comprimido para liberar o medicamento na velocidade desejada”, alega Tejada.

Entre suas vantagens estão a sua boa estabilidade físico-química; a precisão na dosagem e sua fácil administração. No entanto, o problema que apresentam é a impossibilidade de ajuste de dose, como é possível fazer com a cápsula.

Comprimido sublingual:

São um formato que passa a agir já na mucosa oral e vão entrar diretamente na corrente sanguínea, sem sofrer os efeitos do suco gástrico e do metabolismo hepático de primeira passagem. Vão se dissolver sob a língua, e produzir os efeitos terapêuticos em poucos minutos após a administração, com rápida absorção devido e devido aos vasos sanguíneos abundantes nesta região. Sendo assim, esse comprimido alcança o sangue do paciente em cerca de 1 minuto, tendo concentração máxima entre 10 e 15 minutos.

O farmacêutico fala que, entre as vantagens desse tipo de comprimido, estão o fácil acesso e administração, possuindo ação rápida, além de não ser inativado pelo suco gástrico. No entanto, os comprimidos sublinguais não podem ser utilizados em crianças e pacientes inconscientes.

Tejada lembra que esses tipos de comprimidos não devem ser mastigados ou engolidos para que não diminua a eficácia, e que pacientes fumantes só podem fazer o uso de cigarros após a absorção total do medicamento, devido às propriedades vasoconstritoras da nicotina.

Cápsula:

As cápsulas consistem em medicamentos e outros aditivos dentro de um revestimento solúvel, podendo ser duro ou mole, em formatos e tamanhos variados, geralmente compostos por gelatina. Esse revestimento se dilata e libera seu conteúdo quando fica molhado. O tamanho das partículas e as características dos aditivos afetam a velocidade com que o medicamento se dissolve e é absorvido. Os medicamentos em cápsulas contendo líquido tendem a ser absorvidos mais rapidamente do que aqueles em cápsulas contendo partículas sólidas.

As cápsulas moles recebem medicamentos em formado de óleo ou outras formas não sólidas, enquanto as duras recebem o medicamento em pó. São muito usadas em farmácias de manipulação, já que permitem a inserção de diversos princípios ativos em quantidades personalizadas.

Apresentam facilidade na administração, melhor conservação e apresentação, permite administrar substâncias que podem causar enjoos ou de sabor desagradável, liberam rapidamente os fármacos depois da ingestão e, além disso, permitem a prescrição personalizada.

Tejada alerta que as cápsulas não devem ser abertas, podendo alterar o efeito da medicação quando o conteúdo é retirado. Esse tipo de administração é contraindicado para crianças e idosos, caso o tamanho da cápsula seja grande.

Drágea:

é um tipo de comprimido, mas é revestido de açúcar e corante (processo chamado de drageamento). As drágeas são mais fáceis para serem engolidas, além de possuírem o revestimento de açúcar, que mascara sabores e odores desagradáveis de alguns princípios ativos. É indicada para fármacos que oxidam com mais facilidade.

Esse tipo de revestimento tem sido considerado uma tecnologia ultrapassada, já que é um processo caro, depende muito da habilidade de quem o realiza e pode resultar em drágeas com diferentes dimensões e pesos, mesmo que no mesmo lote.

Tomar comprimido sem água pode causar algum problema? De acordo com o clínico geral Américo Cuvello, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, sim. Os comprimidos devem ser tomados com água para facilitar sua ingestão, impedindo que grudem no esôfago e causem desconforto, podendo gerar uma inflamação, que causaria queimação na garganta, dor no peito e sensação de falta de ar. Cuvello afirma que, se o comprimido fica muito tempo em contato com a parede do esôfago, pode surgir uma ferida no local, com sangramento e de difícil diagnóstico

Data: 06/09/2023 Fonte: R7 Notícias - SP

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