Inverno e poluição aumentam o risco de infarto e AVC em 15%

Outros fatores, como a falta de chuva, a baixa umidade no ar durante a estação favorecem o agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias

A poluição atmosférica é a quarta causa de mortes no mundo, concorrendo com tabagismo (a principal), a hipertensão e os fatores de risco dietético-nutricionais, sendo responsável por mais de 3,7 milhões de óbitos entre homens e 3 milhões entre as mulheres.

No inverno, a baixa precipitação das chuvas e o fenômeno da inversão térmica (retenção de uma camada de ar frio próxima à superfície, que dificulta a dispersão de poluentes) estão historicamente relacionados ao aumento da concentração de material particulado e gases tóxicos no ar e, consequentemente ao aumento das admissões hospitalares por doenças cardiovasculares (angina, infarto, arritmias e descompensação de insuficiência cardíaca), cerebrovasculares (acidentes vasculares cerebrais) e respiratórias (exacerbações de bronquite crônica, enfisema e asma).

Este aumento nas internações relacionado à poluição não é um evento exclusivo das grandes metrópoles; ele também já foi constatado em regiões rurais, onde incêndios florestais e queimadas aumentam substancialmente a concentração de poluentes no ar, superando a origem veicular, que predomina nos centros urbanos. Nas áreas onde a prática de queimadas ainda ocorre, muitas vezes desrespeitando leis federais, estaduais e protocolos ambientais, as internações hospitalares acompanham muito nitidamente a curva de elevação da poluição no ar.

“Os riscos de infarto são maiores no inverno porque chove menos e elevando os níveis de poluição. Isso significa que existem mais partículas em suspensão e mais monóxido de carbono circulante. Todo esse material é nocivo ao nosso organismo e aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e pulmonares”, explica Dr. Hélio Castello, cardiologista e coordenador do serviço de hemodinâmica e cardiologia Intervencionista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

O especialista chama atenção também para o clima frio, que faz com que os vasos sanguíneos se contraiam, diminuindo os calibres em todo o corpo. “Esse tipo de estreitamento é especialmente preocupante para pessoas que já têm algum grau de obstrução ou entupimento nas artérias do coração, porque acaba deixando os vasos ainda menores, o que aumenta a chance de um infarto”, ressalta.

A alimentação é outro fator que requer uma atenção especial nesta época do ano, porque tende a ser mais calórica. “No inverno, é comum abusarmos de comidas mais gordurosas e isso também afeta o coração, que precisa trabalhar mais para fazer a digestão. Além disso, esse tipo de dieta oferece mais colesterol, mais triglicérides e mais açúcar, substâncias que acabam afetando negativamente a pressão arterial e o coração”.

A manutenção do uso de máscara também é recomendada: “Usar máscara, uma prática que se tornou comum durante a pandemia, pode ajudar a filtrar o material particulado do ar que fazem mal tanto para o coração quanto para o pulmão, mas não impede a inalação de gás carbônico”, diz. O especialista recomenda também a ingestão de líquidos, especialmente água.

Para minimizar as consequências que o inverno e a poluição trazem para o nosso organismo, o especialista aconselha alguns cuidados que podem ser adotados por pessoas de todas as idades e, em especial, pelos idosos. “Devemos tomar todas as vacinas, não só as da Covid-19. A vacinação contra a gripe, que previne contra vários tipos de Influenza, como o H1N1, previne também contra a pneumonia. Essas doenças aumentam as chances de infarto ou AVC porque levam o corpo a um estado inflamatório, que aumenta a chance de coagular o sangue e de contrair os vasos que podem levar ao entupimento das artérias e ao infarto”, esclarece.

O cardiologista alerta, inclusive, para a manutenção do tratamento farmacêutico: “É importante não interromper a medicação recomendada pelo seu médico, fazer controle dos níveis de pressão e não descuidar da dieta. Temos que tomar cuidado para não comer alimentos gordurosos com frequência e ficarmos atentos aos sinais do corpo. Se notar alguma alteração importante, procure um médico”, aconselha.

Poluição e frio afetam também o sistema respiratório

Além do material particulado e de gases como os óxidos de enxofre emitidos pelos escapamentos dos carros, temos também o ozônio, um gás considerado poluente secundário, isto é, uma substância nociva que se forma a partir de reações químicas entre outros poluentes, como os óxidos do nitrogênio e os compostos orgânicos voláteis, com o oxigênio do ar. Essas reações, facilitadas pela radiação ultravioleta da luz solar, são particularmente mais intensas em locais de alta concentração de veículos automotores e em dias e horários mais ensolarados, como frequentemente presenciamos no inverno. O ozônio, tão importante em camadas mais altas (a partir de 20.000 metros) da atmosfera por bloquear radiação ultravioleta, aqui no nosso meio é considerado um poluente, causando inflamação nas vias aéreas e contribuindo para o adoecimento e mortalidade por doenças respiratórias.

As variações bruscas de temperatura podem trazer ainda mais preocupação por reduzir os mecanismos de defesa do sistema respiratório. Segundo o Dr. Gustavo Prado, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, essa amplitude térmica que temos enfrentado nos últimos dias prejudica o batimento dos “cílios” das células que revestem o aparelho respiratório. “Os cílios fazem um batimento, como se fossem remos de uma embarcação, empurrando qualquer impureza, como material particulado e secreção, em direção às vias de saída, que são boca e nariz. Quedas bruscas de temperatura paralisam temporariamente essa atividade ciliar e isso favorece acúmulo de material particulado, impurezas e secreção, podendo causar inflamações e infecções no trato respiratório”, esclarece.

Cuidados com o tempo seco

O especialista destaca ainda a importância de tomar algumas precauções em épocas de tempo seco. “Quando o tempo está seco e temos que lidar com uma maior concentração de poluentes no ar, como gases e material particulado, temos mais chance de favorecer uma desidratação das vias áreas levando a alterações nas características da secreção respiratória, que fica mais espessa e com maior tendência a acúmulo”, elucida e complementa: “Nesses casos é importante lavar as narinas com soro fisiológico, que além de limpar, hidrata a mucosa nasal, o que traz mais conforto”.

Outra dica do pneumologista é evitar ambientes fechados sem ventilação e com maior concentração de pessoas, que favorecem a transmissão de infecções respiratórias, como gripes e resfriados, além da própria Covid-19. “Para minimizar os efeitos da poluição nessa época do ano alguns cuidados podem ajudar, como maior ventilação dos ambientes, manutenção preventiva de aparelhos de ar-condicionado, manter-se bem hidratado, fazer uma alimentação saudável e praticar esportes regularmente. Para as pessoas com doenças respiratórias, aconselho manter um cuidado redobrado em relação à aderência do tratamento proposto pelo médico. Não relaxem no uso dos medicamentos, nem nos cuidados gerais”, orienta.

O pneumologista traz ainda dicas importantes para os praticantes de exercício à céu aberto. “Do mesmo jeito que o surfista olha a tábua de marés antes de ir à praia, quem faz exercícios na rua precisa também acompanhar a qualidade do ar e procurar fazer essa atividade, minimizando a inalação de poluentes de origem automotiva. Para quem pode escolher quando se exercitar, evite os horários do rush, entre 7h e 8h da manhã e entre 5h e 6h da tarde, além do horário do almoço, que, por causa da maior incidência de radiação solar, é o horário de maior concentração de Ozônio, um poluente que provoca inflamação nas vias aéreas e exacerbação de doenças respiratórias. Sempre também é importante dar preferência a ruas secundárias, evitando grandes vias de tráfego de veículos.”, recomenda.

Data: 07/12/2022 Fonte: Revista Visão Hospitalar Online

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