Como os games trazem inovação e eficiência para os tratamentos

Além de estarem por trás de um mercado que faturou mais de US$ 125 bilhões em 2021, os games também têm ganhado espaço em outra área: a de saúde. Fisioterapeutas, gerontólogos e terapeutas ocupacionais têm usado os jogos para tratar de pacientes com problemas ortópedicos, déficits cognitivos ou questões neurológicas.

“Na fisioterapia, nem sempre o paciente consegue entender porque estamos pedindo para que ele faça um determinado movimento. Mas, quando colocamos para tocar um game associado aos exercícios e aos objetivos que procuramos, ele se envolve e avança nos movimentos. Para o paciente, vira uma diversão, uma alegria a cada ponto; para nós, a satisfação de ver que ele finalmente está evoluindo”, diz o fisioterapeuta Santiago Munhos, que usa a gameterapia em pacientes ortopédicos há 3 anos em sua clínica em São Paulo.

Munhos dá preferência aos games que respondem aos movimentos das pessoas, como Nintendo Wii e XBox 360. “Com eles, conseguimos ir adicionando elementos extras, para atingir o objetivo do tratamento”, diz o fisioterapeuta.

O especialista explica que o tratamento lúdico é muito eficaz no tratamento de quem sofreu lesões e ainda enfrenta dores. “Nesse momento, estou tratando uma paciente que é tenista e sentia muitas dores no joelho ao tentar voltar para a quadra. Mas aqui, ao experimentar um jogo de tênis no videogame, era muito mais tranquilo. Agora, quando entra no jogo real, já não sente mais nada.”

Além do games que estimulam o movimento, os óculos de realidade virtual também são ferramentas úteis para a fisioterapia. Segundo Santiago Munhos, esse recurso tem bons resultados no tratamento da dor. “Usei com uma paciente que sentia muita dor depois de ter operado o ombro. Estava muito sensível e não queria fazer nenhum movimento. Então usei a realidade virtual para fazer de conta que ela estava em uma montanha russa. Ela ficou tão imersa que não percebeu o quanto o braço dela estava sendo manipulado na atividade de fisioterapia”, diz.

Tratamento multitarefa

Andressa Chodur, terapeuta ocupacional e especialista em gerontologia, também incorporou a terapia gamer em seus atendimentos com idosos. “Nós utilizamos os jogos para promover o que chamamos de multitarefa. Nesse modelo de terapia, nós queremos que o paciente responda de forma motora – fazendo um movimento do braço, por exemplo -, ao mesmo tempo em que processa e responde questões cognitivas. As duas tarefas combinadas promovem um estímulo cerebral muito potente”, explica Andressa. “Pacientes com Alzheimer e Parkinson se beneficiam bastante desse recurso.”

Outro benefício para os pacientes idosos está na inclusão digital, que faz com que se sintam mais ativos e conectados ao presente. “Os idosos também querem pertencer a esses ambientes digitais. E isso tem sido facilitado por uma tecnologia cada vez mais acessível.”

Os especialistas ressaltam que a terapia associada aos jogos só funciona se for associada aos tratamentos convencionais. É necessário que o paciente passe por um médico especialista, que vai determinar o tipo e a frequência dos excercícios.

Treinamento

Outro uso comum dos games na área de saúde é para capacitação de profissionais. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, desenvolveu um jogo que é usado no treinamento obrigatório de sua equipe assistencial e médicos. O BLS game, ou jogo Suporte Básico de Vida, é sobre o que fazer em caso de parada cadiorrespiratória.

O game tem duração de dois minutos e pode ser jogado em desktop, tablet ou celular. Nele, há um avatar representando o socorrista e outro da vítima. O jogador tem que cumprir todas as etapas de atendimento, desde verificar se o paciente responde a chamados até a avaliação do pulso, compressão torácica e ventilação.

“Na etapa de compressão, por exemplo, o jogador deve posicionar a mão certa no tórax da vítima e posicionar o corpo de seu avatar de forma correta em relação ao paciente”, explica Natália Sarracceni Tedesco, coordenadora de educação corporativa do hospital. “Na etapa de ventilação, o jogador consegue angular a cabeça da vítima para fazer o procedimento.”

“O objetivo do jogo é que a pessoa consiga fazer um desfecho clínico para aqueles pacientes”, explica Maria Carolina Lourenço Gomes, diretora de Gente e Gestão do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “O game é parte do treinamento no nível básico, antes de que o profissional evolua para as atividades presenciais no hospital.” Para Maria Carolina, esse tipo de recurso está em crescimento nas instituições de saúde.

Data: 30/01/2022 Fonte: ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE/SÃO PAULO

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