Bloco de Carnaval sem perrengue: 8 dicas para curtir em segurança (e na chuva!)

Após um hiato de três anos causado pela pandemia de Covid-19, os amantes do Carnaval estão animados com a folia. Alguns cuidados, no entanto, são necessários para poder aproveitar a festa sem perrengues.

“Carnaval é uma época de contatos frequentes e intensos entre pessoas ao ar livre, com muito álcool e, eventualmente, outras substâncias químicas. Esse é um cenário propício para alguns problemas”, afirma Érico Oliveira, clínico geral do Hospital Oswaldo Cruz.

“Do ponto de vista médico, o foco acaba sendo as doenças infecto-contagiosas, causadas por vírus, bactérias e fungos, além de traumas físicos. No entanto, se pensarmos numericamente, o maior risco é com relação à violência, inclusive sexual”, aponta o médico.

O clima, neste ano, também tem sido uma preocupação, já que tem chovido e a previsão é que continue assim. É preciso se proteger e estar vestido de forma apropriada.

Com as medidas a seguir, é possível minimizar os danos:

1. Proteja-se do sol e da chuva

Muitos festejos acontecem em lugares abertos, de dia. A exposição prolongada ao sol pode causar queimaduras e aumentar o risco de doenças cutâneas. Por isso, é essencial aplicar protetor solar antes de sair de casa, mesmo que esteja nublado — vai que sai um mormaço ou o tempo abre?

Érico Oliveira alerta que o glitter pode potencializar as queimaduras solares, mais um motivo para redobrar o cuidado.

Para quem curte a festa no centro-sul do país, há o risco de passar frio. Tempestades e quedas de temperatura repentinas são frequentes nessa época do ano. Da dúvida, leve uma capa de chuva e use sapatos que protejam o pé da sujeira que pode se deslocar. E, claro, que não escorreguem.

2. Teste o gliter com antecedência

Vai se enfeitar com gliter, adesivos e tintas? É mais seguro investir em produtos de qualidade, testados dermatológica e oftalmologicamente. Outro cuidado é respeitar o prazo de validade.

Érico Oliveira sugere fazer um teste na pele com antecedência, pois alguns itens podem conter substâncias alergênicas. Se possível, evite aplicar os produtos na área dos olhos e da boca, e lave bem a pele após o uso.

3. Beba água

O ideal mesmo seria não consumir álcool. Afinal, não existe uma dose absolutamente segura para a ingestão da bebida, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). No entanto, para muitos foliões, é impensável pular carnaval sem beber — cerveja, catuaba, uísque, vodca, cachaça…

Por isso, nesse caso, a melhor saída é a redução de danos, isto é, tentar minimizar os efeitos adversos do consumo da droga.

“Como o Carnaval é longo, a pessoa tem que encontrar um ritmo inteligente (para beber) e fazer um uso responsável que permita aproveitar a festa até o final”, aponta Érico Oliveira.

A principal estratégia, segundo o médico, é intercalar o consumo de álcool com o de água, até para evitar a desidratação acelerada pelo calor do verão. Outro bom caminho é eleger, na turma, o amigo da roda, aquele folião que vai ficar de olho na galera e avisar se alguém está passando do ponto.

4. Use camisinha

“No Carnaval, há um aumento grande e consistente de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Nos últimos anos, temos tido uma recrudescência nos casos de sífilis, mas gonorreia e HIV também preocupam”, diz Oliveira.

O meio mais eficaz para se proteger contra ISTs é o sexo protegido. No entanto, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o uso de preservativo entre os adolescentes caiu de 72,5% em 2009 para 59% em 2019. Não dá para bobear.

Neste Carnaval, diversas prefeituras estão fazendo campanhas de distribuição gratuita de camisinhas. Em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Recife, por exemplo, a previsão é que os contraceptivos sejam oferecidos no transporte público e nos locais dos festejos. “Pegue uma ‘mãozada’ de preservativos e vá curtir o bloco de forma segura”, recomenda o médico.

5. Deixe a rasteirinha em casa

“Eu trabalho em hospital e é muito comum receber pessoas para tomar uns pontinhos no pé durante o Carnaval”, afirma Érico Oliveira. Sua recomendação: vestir calçados fechados, como tênis. Se quiser usar sandálias, que sejam minimamente protegidas. Aquela rasteirinha que quase encosta no chão é melhor deixar para outra ocasião.

“E evite andar descalça no momento de empolgação. A gente fala muito sobre doenças, mas, na verdade, as ocorrências mais comuns nessa época são cortes causados por objetos cortantes, como garrafas quebradas”, diz o clínico geral.

6. Beije com moderação

Se no Carnaval a saliva é trocada com frequência — seja por beijos na boca ou por goles nos drinques dos amigos — a época também aumenta o risco de transmissão do vírus Epstein-Barr, causador da “doença do beijo”, a mononucleose infecciosa.

A presença do Epstein-Barr é comum na população brasileira e estima-se que de 90% a 95% dos adultos já tenham sido infectados pelo chamado herpesvírus humano 4. A maioria das pessoas, no entanto, não apresentam sintomas e uma parcela ainda menor desenvolve a forma grave da doença.

“Manter contato com o menor número de pessoas possível já é um bom começo, porque o risco (da doença) é proporcional à exposição”, recomenda Oliveira. Evite também compartilhar copos e limpe as mãos regularmente. Em caso de sintomas, como febre, mal-estar, fadiga, dores de cabeça e de garganta, procure atendimento médico para evitar a disseminação do vírus.

7. Abra o olho

A violência relacionada ao álcool é um problema comum em festas que reúnem multidões. “As pessoas estão um pouco mais conscientes no aspecto da violência sexual. O comportamento abusivo dos homens em relação às mulheres é cada vez menos tolerado. Ainda assim, é preciso tomar cuidado”, aponta Érico Oliveira.

“Enquanto médico, eu diria para consumir álcool com moderação e, ao mesmo tempo, manter o olho ativo ao redor, para perceber o ambiente e tentar fugir de situações de violência. Enquanto pai, eu diria para andar em grupo e se abrigar em um local seguro quando o bloco acabar.”

8. Forre o estômago antes de sair de casa

A combinação álcool + jejum é a fórmula para passar mal. A dica é fazer um café da manhã reforçado ou almoçar antes de ir para a festa. Se a fome bater na rua, procure comprar alimentos nas áreas comerciais que ficam abertas ao redor dos blocos.

Data: 22/02/2023 Fonte: Revista Marie Claire Online - SP

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