Vem Bailar

Mais do que uma forma de se divertir e mexer o corpo, a dança também é uma aliada na prevenção de doenças e na manutenção do bem-estar e da saúde mental.

Mais do que uma forma de se divertir e mexer o corpo, a dança também é uma aliada na prevenção de doenças e na manutenção do bem-estar e da saúde mental

Das antigas danças indígenas aos passos sincronizados dos desfiles de Carnaval; dos movimentos rígidos do balé clássico à liberdade da zumba; da coreografia intensa das danças de salão às improvisações nas pistas de baladas, a dança sempre encontra uma forma de se manifestar. Todas essas opções, sem exceção, têm seus benefícios – que vão muito além da pura diversão. Corpo, mente e alma são favorecidos, e

isso está ao alcance de qualquer pessoa. “Se você não pode dançar em pé, pode dançar sentado; se tem restrições de movimento nos braços, pode mexer as pernas. Sempre há um jeito de dançar”, comenta a professora de jazz Flavia Lucato.

Além de fortalecer músculos, ossos e articulações, tornear o corpo, liberar as tensões e queimar calorias, a dança tem funções que, provavelmente, você não imagina. Uma delas é a melhora da memória, do equilíbrio e das funções cerebrais. Um estudo do Centro Alemão para Doenças Degenerativas de Magdeburgo, publicado no periódico Frontiers in Human Neuroscience no ano passado, mostrou que dançar pode ajudar a reverter sinais de envelhecimento no cérebro.

Em idosos, a atividade pode contribuir no tratamento e prevenção do Alzheimer.
“Indivíduos em estágios iniciais da doença podem sentir melhora em atividades rotineiras, como se vestir, tomar banho ou comer sozinhos, porque a dança promove um acréscimo do autoconhecimento e da percepção corporal”, destaca o Dr. Omar Jaluul, geriatra do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. E não só o Alzheimer. Segundo o médico, doenças como pressão alta, diabetes, osteoporose e depressão podem apresentar melhoras com a atividade.

Para quem se dedica a aprender uma dança, cada aula é uma nova descoberta. “É quase uma meditação, pois você precisa se concentrar em seu corpo, em seus movimentos. Uma forma de
estar presente no aqui e no agora”, comenta Luis Ribeiro, professor de balé clássico. “Também é um processo muito bonito, pois permite conhecer melhor o corpo, ganhar domínio dos
movimentos, praticar a resiliência e descobrir novas sensações.”

Na dança, segundo ele, você pode ser quem realmente é. “Nunca vai haver dois corpos iguais. Cada pessoa se conecta com o espaço e se expressa à sua própria maneira.” E esse processo é
pessoal e intransferível, diz o professor. “Dançar é algo que ninguém pode fazer por você.”

Em movimento


Brasil que dança

A riqueza de sons e ritmos em nosso país vai das danças folclóricas ao funk. Veja onde estão presentes alguns deles:

Maranhão
Tambor de crioula, tambor de mina, tambor de taboca, tambor de caroço

Pernambuco
Xaxado, frevo, maracatu, baião

Bahia
Axé, forró, xote, xaxado, coco

Rio de Janeiro
Funk, samba, samba de gafieira, chorinho, maxixe

São Paulo
Chorinho, sertanejo universitário, samba-rock, forró, maxixe


Muito além do “dois pra lá, dois pra cá”

Conheça os benefícios proporcionados por algumas modalidades

Balé Clássico
Exige força, concentração, disciplina e controle mental. Os movimentos trabalham consciência corporal, alongamento e flexibilidade, e os resultados se revelam em um corpo tonificado, ótima postura e um grande estado de relaxamento – físico e mental.

Forró
Melhora a coordenação motora, fortalece as pernas, ajuda a perder peso, aperfeiçoa o equilíbrio e ainda manda embora o estresse, as tensões e a tristeza, devido à produção de serotonina, o hormônio do bem-estar.

Jazz
A técnica usa os princípios do balé clássico, passando pelo balé moderno, mas a criação dos movimentos coreografados é livre. Nas aulas, o físico é trabalhado intensamente, com alongamento, postura e força muscular.

Street Dance
Essa dança urbana exige passos rápidos, movimentos intensos e excelente coordenação motora.

Promove, ainda, aumento do condicionamento físico, melhorando a capacidade cardiorrespiratória.

Tango
Fortalece a musculatura, aperfeiçoa a coordenação motora e melhora a capacidade cardiovascular. A prática também estimula o cérebro por meio da música, aumenta a concentração, a criatividade e a autoconfiança.

Zumba
Une ritmos de dança latinos, como salsa, merengue, mambo, reggaeton e também elementos de samba, axé e funk. Intensas, as coreografias ajudam a perder peso, fortalecem glúteos, coxas e pernas e podem proporcionar uma queima de até mil calorias por aula.


Palavra de quem dança

Dançarinos iniciantes, iniciados e profissionais falam sobre o que a dança representa para eles

“Comecei a estudar balé aos 16 anos e, para mim, é quase uma ciência. Nas aulas, você passa por um processo de descoberta de si e de suas próprias capacidades, atinge outro patamar de domínio do corpo. Embora muita gente pense que as aulas são iguais, elas são sempre diferentes. Você descobre algo novo toda vez. Ganha resiliência, confiança de que vai superar os desafios. Conecta-se com seu corpo e com o momento presente. É um momento de entrega, inteiramente seu.”

LUIS RIBEIRO, professor de balé clássico do Estúdio Anacã


“Nadei por 14 anos antes de descobrir o jazz. Vinha de uma vida de atleta, em que é necessária certa rigidez do corpo, e estava em busca de uma atividade que me ajudasse a liberar a mente. Vi que a dança poderia ser uma solução. Para mim, o jazz é uma terapia. Fico 100% concentrada em mim e no que estou fazendo e, com isso, deixo para trás as preocupações. Nos dias em que não consigo dançar, sinto falta, porque sempre saio das aulas me sentindo leve e livre.”

ANNA CAROLINA NEGRI, fotojornalista


“Meu sonho sempre foi ser bailarina. Quando criança, minha mãe me tirou do balé e colocou na natação. Só aos 26 anos reencontrei a dança. Embora seja uma técnica difícil, cheia de detalhes, o balé é algo que faço com muito prazer. É lindo ver o corpo se desenhando e saber do que ele é capaz. E, quanto mais você se gosta, mais tem vontade de fazer coisas boas por si mesma.”

ANA CAROLINA DEL NERO, psicóloga


“Danço desde criança. É algo que sempre fez parte da minha vida, então foi natural começar a trabalhar com isso. A dança é um processo muito rico, porque te faz olhar para dentro. E você se expõe muito. Trabalha sua segurança, sua vulnerabilidade, sua coragem de bancar uma coreografia na frente de outras pessoas. Para mim, a dança é muito generosa. Mostra suas verdades, mas também te acolhe.”

FLAVIA LUCATO, professora de jazz do Estúdio Anacã


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Data: 25/03/2019
Fonte: Revista LEVE