Passageiros ignoram risco de viagem sem máscara no Uber

Tem passageiro de transporte por aplicativo desrespeitando medidas de prevenção à Covid-19 em Belo Horizonte. Motoristas que atuam nas plataformas relatam que usuários sem máscara são comuns no dia a dia, mesmo com a escalada de casos da doença e das mortes Brasil afora.

Com medo, parte dos condutores até recusa viagens de clientes sem o Equipamento de Proteção Individual (EPI). Porém, outra parcela alega não poder sequer se dar a este “luxo”, por temer uma perda financeira ainda maior após a retração da demanda pelo serviço devido à pandemia.

É o caso de Luís Fernando Costa, de 39 anos. Há três rodando para os apps, ele sente maior dificuldade nas corridas à noite. “Cerca de 70% dos passageiros que atendo estão sem a proteção. Como dizer que não vou levar? Se eu barrar todo mundo, volto para casa até mesmo sem o dinheiro para a gasolina”.

Receio de queda na renda também tem Wagner Oliveira, de 47. Recentemente, um homem chegou a entrar no veículo, com a irmã, sem a máscara. O passageiro sentou no banco da frente, ao lado do motorista. “Falei que enquanto não passasse para trás eu não daria a partida. Todo dia, umas quatro pessoas chamam o aplicativo e estão sem máscara. Quando peço para colocar, vejo que estava no bolso”.

Uber, Cabify e 99 afirmaram que o motorista pode recusar a corrida, sem punição, do usuário que não estiver usando máscara. Todos os três aplicativos garantiram ter adotado medidas para garantir a segurança dos condutores e passageiros.

Cenas semelhantes colocam em risco tanto o motorista quanto o próprio passageiro, destaca o imunologista Eduardo Finger, da Care Plus. “Há possibilidade de o vírus ficar no ar e ir se acumulando em ambientes fechados. Havendo alta concentração (desses organismos), qualquer pessoa acaba se contaminando”.

O médico, que também atua no Hospital Oswaldo Cruz, ressalta que, além do uso das máscaras, as janelas devem permanecer abertas quando no carro estão mais de dois ocupantes. A medida possibilita a “diluição” das partículas.

Eduardo Finger destaca que, em São Paulo, há punição para condutor de veículo por app e usuários sem o EPI. Em BH, a multa é válida apenas para o usuário do transporte público coletivo.

É justamente para fugir de ônibus lotados que mais pessoas estão recorrendo aos aplicativos, acredita Jonathan Winter, de 34. “Estou rodando desde o primeiro dia de pandemia. No início, não transportava quase ninguém. Agora, já há um aumento expressivo. São pessoas indo trabalhar”, diz.

Data: 30/07/2020
Fonte: HOJE EM DIA ONLINE/BELO HORIZONTE