Hospital Alemão Oswaldo Cruz realiza palestra sobre febre amarela

Apesar da Organização Mundial de Saúde ter recomendado que o estado de São Paulo seja considerado de risco, no último dia 16 de janeiro, o surto da doença infecciosa, está restrito a cidades com ambientes periurbanos, que possuem casas próximas a matas e bosques. De acordo com a médica infectologista do Centro de Vigilância Epidemiológica, Ruth Moreira Leite, que esteve presente no Hospital Alemão Oswaldo Cruz para esclarecer dúvidas sobre a doença, o ciclo de transmissão é silvestre, disseminado pelos mosquitos Haemagogus ou o Sabethes, e não urbano, conforme se suspeitava, já que o último registro de febre amarela urbana que se tem notícia ocorreu em 1942, no Acre – nesse caso o vetor responsável pela doença é o mosquito Aedes aegypti , o mesmo que causa dengue, zika e chikungunya e mora nos centros urbanos.

A médica infectologista explica que no ciclo silvestre não há transmissão direta do macaco para os seres humanos, nem entre humanos, e que a única forma de conter a febre amarela desse tipo é a vacinação que vem sendo recomendada principalmente em locais como Mairiporã, município da região metropolitana de São Paulo. Lá, toda a população foi imunizada depois que a cidade teve o maior número de casos e mortes dessa doença infecciosa.

Segundo ela, surtos de febre amarela silvestre são periódicos e acontecem especialmente, no verão, em áreas endêmicas como a Amazônia. Desde 2014, no entanto, a doença vem se espalhando por todo o Brasil, possivelmente por conta do tráfico de animais vindo dessa região. A infectologista alerta que até maio ou junho desse ano, a perspectiva é de que, com a mudança da estação, os casos diminuam em todo o país.

Rota da vacinação

No dia do aniversário da cidade de São Paulo, dia 25 de janeiro, os postos de vacinação vão receber, pela primeira vez, a vacina fracionada contra a febre amarela, cuja imunização dura oito anos, aproximadamente. “Quem já tomou a vacina não precisa se preocupar em tomar outra vez”, esclarece a Dra. Ruth. Ela destaca que até agora os postos de saúde brasileiros só trabalharam com a vacina do tipo plena, que requer dose única e vale por toda a vida em qualquer dos dois tipos de febre amarela. Essa vacina, aliás, é a mesma que foi criada no final da década de 30 e ajudou o médico sanitarista Oswaldo Cruz a conter a epidemia da doença naquela época.

Apesar do pânico que se instaurou na cidade, com a população fazendo longas filas para tomar a vacina, a médica informa que a vacinação realizada pelo governo vai percorrer prioritariamente as áreas de risco que estão situadas fora da capital, devendo seguir pela região do ABC, Sorocaba, Vale do Paraíba e por último, o litoral de São Paulo.

Febre amarela urbana

Embora não seja provável, uma vez que alguns especialistas acreditam que o mosquito Aedes aegypti já sofreu muitas mutações, a febre amarela urbana deve ser evitada da mesma maneira que as outras doenças causadas por esse mosquito: não permitir o acúmulo de água parada em nenhum tipo de recipiente e intensificar o uso de repelentes que contêm as substâncias DEET e icaridina, que repelem, de fato, o Aedes aegypti.

“Melhor matar o Aedes em áreas urbanas do que vacinar agora para evitar a febre amarela urbana”, conclui a Dra. Ruth Moreira Leite.

A doença

A febre amarela é uma doença infecciosa, transmitida por mosquitos de duas categorias: febre amarela silvestre, pelo Haemagogus e Sabethe e febre amarela urbana, pelo Aedes aegypti. Recebe esse nome por deixar a pele amarelada em casos mais graves. O vírus é tropical e mais comum na América do Sul e na África.

Os sintomas são febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina). Cerca de 15% dos doentes infectados com febre amarela apresentam sintomas graves, que podem levar à morte em 50% dos casos.  São esses os casos, aliás, que costumam ser notificados junto às autoridades responsáveis.

Os profissionais que desejarem saber mais sobre a doença e suas manifestações podem acessar: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/febre_amarela_guia_profissionais_saude.pdf

A vacina e o certificado internacional

Depois de 10 dias, a pessoa que tomou a vacina já está imunizada contra a doença. Alguns países como a Austrália exigem o certificado internacional de vacinação dos seus visitantes que vem sendo dado em alguns postos como o do Hospital das Clínicas e aeroportos. Para saber mais sobre os locais de vacinação acesse: www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/unidades-de-referencia/fa/posto_fad1.htm

Quem deve tomar a vacina contra a febre amarela?

Confira abaixo os mitos e verdades sobre quem pode tomar a vacina contra a febre amarela com o Dr. Icaro Boszczowski, Coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

  1. As grávidas podem tomar vacina?
    Elas não devem tomar a vacina. Em áreas de risco deve-se pesar custo e benefício por meio de avaliação dos médicos. Como a vacina é feita de vírus vivo atenuado, pode haver consequências para o feto.

  2. E as mulheres que estão amamentando?
  3. Também não devem pelo mesmo motivo.

  4. E as pessoas que têm alergia ao ovo?
  5. É contraindicado também. Como o vírus da vacina é vivo, ele precisa se reproduzir em algum meio também vivo que é o ovo de galinha. Então existem resíduos do ovo na vacina, o que pode induzir a uma reação anafilática em quem tem alergia ao ovo.

  6. Quem toma drogas imunossupressoras também não deve tomar a vacina?
  7. Exatamente. Podem ocorrer consequências graves pela ausência de imunidade desses doentes.

  8. É verdade que a vacina pode causar efeitos colaterais graves como a própria febre amarela?
  9. Sim, existem dois tipos graves, porém, não muito comuns. Um deles é o vírus causar uma doença neurotrópica acometendo um nervo do tipo nervoso. Em crianças isso pode levar à encefalite, por isso a vacina não é recomendada para bebês com até 9 meses.

    O outro é a chamada visceralização. Causa inflamação de órgãos como o fígado decorrente do vírus vacinal, o que pode levar à morte. Nesses casos, a própria doença foi desenvolvida através da vacina. Mas isso é bastante raro, um caso a cada 200 mil vacinações.