Envelhecer em São Paulo | Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Envelhecer em São Paulo

A redução da taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida farão com que o número de idosos cresça em todo o país nas próximas décadas.

Hoje, há 1,7 milhão de idosos na capital paulista, quase 15% da população total.

ENVELHECER EM SÃO PAULO

Número de idosos na capital paulista deverá dobrar até 2050. Será preciso se preparar para atender um público mais ativo e longevo.

A redução da taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida farão com que o número de idosos cresça em todo o país nas próximas décadas. Na capital paulista, ele vai dobrar até 2050.

A partir de 2027, São Paulo terá mais idosos do que jovens morando na cidade. E a cidade se prepara para abrigar um novo perfil de terceira idade: ela está aproveitando mais a velhice, voltando a estudar, investindo em lazer e se recolocando no mercado de trabalho.

Hoje, são 1,7 milhão de idosos na cidade, quase 15% da população. Em 2050, serão 3,6 milhões, 30% do total. O aumento será gradual.

O grupo de pessoas com mais de 60 anos de idade em comparação ao de jovens com menos 24 de anos vai dobrar entre 2010 e 2030. Hoje, a proporção é de seis idosos para dez jovens.

Será de 12 para dez. Em 2050, a proporção será ainda maior: 21 para cada dez. Algumas regiões terão que se adaptar mais, já que concentrarão a maior proporção de pessoas mais velhas.

É o caso da região central e do centro expandido, como Pinheiros, Bela Vista e Jardins na média, serão 40 idosos para cada dez jovens.

“A população está envelhecendo. Aumentou na cidade de São Paulo o número de pessoas com mais de 80 anos. Hoje, temos cerca de 1 027 idosos centenários”, conta a coordenadora de Políticas para Pessoa Idosa da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Sandra Regina Gomes.

Atualmente, a maior parte dos mais velhos, com mais de 85 anos, se encontra na região central e na zona oeste da cidade.

Isso se reflete nos serviços que a prefeitura oferece a essas pessoas a cidade tem 91 núcleos de convivência, que atendem cerca de 12 000 pessoas por mês, 16 centros para idosos e 15 instituições de longa permanência, os antigos asilos.

Há ainda as atividades oferecidas pelos Centros de Artes e Esportes Unificados, os CEUs, e os serviços de saúde oferecidos pelas unidades básicas de saúde e pelo Programa Acompanhante de Idoso, o PAI, que é voltado a idosos em situação de fragilidade clínica e vulnerabilidade social e consiste no cuidado domiciliar realizado por profissionais e acompanhantes.

Atualmente, em São Paulo, a maior parte dos idosos vulneráveis encontra-se nas regiões sul e leste.

“A média de idade dessa população aproxima-se de 78 e 80 anos e a perspectiva é que ela viva ainda mais. A capital precisa se preparar para isso, se tornar uma cidade amigável para acolher essas pessoas”, explica Sandra.

Os hábitos dos idosos também mudaram. Leonardo Piovesan, geriatra do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que eles buscam cada vez mais um envelhecimento ativo. “Hoje, as pessoas vivem mais e o perfil de adoecimento é mais por doenças crônicas degenerativas. O idoso tem se preocupado mais com sua saúde, buscando alternativas para envelhecer bem: atividade física, combate ao estresse e ao sedentarismo etc.”, diz.

Segundo o médico, 70% das causas de doenças crônicas têm a ver com o estilo de vida do paciente. Mas as características de quem já chegou à melhor idade também mudaram.

“Eles procuram atividade física, Crescimento da população idosa na cidade de São Paulo 4.000. 000 – 3.500.00 3.000. 000 2.500.000 2.000. 000 4 1.500.000 M 1.000. 000 — 500.000 0 — 2010 2018 2020 2030 2040 2050

ESPECIAL MELHOR IDADE

Porcentagem da população idosa por sexo convivência social, mais participação na vida pública. Não é mais aquele perfil do idoso que fica sentado em casa fazendo crochê ou lendo jornal.

Hoje, com a aposentadoria, as pessoas buscam atividades sociais, voluntariado, querem aprender coisas novas e até novos ofícios.” Independência Não à toa, a participação deles no mercado de trabalho cresceu.

Na região metropolitana de São Paulo, segundo dados da Fundação Seade, a taxa de pessoas de 60 anos ou mais no mercado de trabalho aumentou de 10,5% nos biênios 1986/87 para 14,9% nos biênios 2014/15, entre as mulheres, e variou de 35,3% para 34,9%, entre os homens. Em 2010, dados da prefeitura já mostravam que quase um terço dos idosos trabalhava.

“É preciso lembrar que eles têm custos altos, muitas vezes são responsáveis pela família e estão voltando para o mercado de trabalho buscando recolocação”, explica Piovesan. Mas toda essa mudança de perfil fez com que aumentasse também a independência financeira e familiar da terceira idade, principalmente em São Paulo.

Viver da ajuda de parentes ou conhecidos era uma situação mencionada por cerca de 2% dos idosos de 60 anos na região metropolitana em 2014 e 2015 em 1986 e 1987, a proporção chegava a quase o triplo (5,7%). Hoje, muitos moram sozinhos.

E mais que isso, buscam novas maneiras de morar. É o caso de residenciais que integram o conceito de condomínio fechado com centro de repouso. Chegam a custar até 15 000 reais por mês e oferecem serviços de médicos, enfermeiros e nutricionistas, restaurante, sala de cinema e espaço ecumênico, além de aulas de teatro, terapia com cães e até videogame.

Afinal, esse público está cada vez mais digital. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, de 2008 para 2013, o porcentual de idosos que acessam a internet passou de 5,7% para 12,6%.

Data: 08/11/2018
Fonte: Revista Veja São Paulo