Em busca do sono perdido | Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Em busca do sono perdido

Saiba mais sobre os distúrbios de sono – alguns velhos conhecidos, outros bastante incomuns – que podem atrapalhar suas noites e a sua saúde.

Em países europeus, nos Estados Unidos e na Austrália, o diagnóstico de apneia obstrutiva do sono é matéria de saúde pública, tanto quanto o de diabetes e hipertensão. Isso porque os prejuízos provocados por essa interrupção momentânea da respiração podem ser bastante sérios. Sempre que algo atrapalha a saúde do sono, o ritmo circadiano (popularmente conhecido como relógio biológico) é afetado e, assim, o corpo todo sofre as consequências. “Vivemos em uma sociedade da privação do sono, ainda mais com a abundância de eletrônicos. Os prejuízos à saúde são graves, mas não damos a devida importância a isso”, diz o Dr. Luciano Ribeiro, neurologista e coordenador da Unidade de Medicina do Sono do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Além da apneia, outras alterações comuns são insônia, distúrbios de ritmo, de movimento e diversos tipos de parassonias – definidos, grosso modo, como comportamentos fora do padrão. “Transtornos podem acarretar em um sono sem qualidade, interferindo na qualidade de vida e no metabolismo”, afirma o Dr. Luciano. Conheça, a seguir, alguns desses distúrbios.

DISTÚRBIOS DO DESPERTAR

Nos primeiros estágios do sono, uma pessoa pode se comportar, por alguns minutos, como se estivesse acordada. Sentar na cama, andar e falar dormindo caracterizam os episódios de sonambulismo, enquanto uma súbita agitação, acompanhada de sudorese e gritos, é indicativo de terror noturno. Já o despertar confusional caracteriza-se por uma forte desorientação mental ao acordar, que faz com que o indivíduo aja sem consciência. Mais comuns na infância, os distúrbios provocados pelo despertar parcial do sono costumam ser inofensivos e deixar de se manifestar conforme a criança cresce.

APNEIA DO SONO

O fluxo normal da respiração pode ser prejudicado quando dormimos, em geral por um “bloqueio” na faringe ou no nariz. As consequências dessa obstrução vão desde ronco até breves interrupções na respiração – a apneia obstrutiva do sono –, que deixam a noite repleta de microdespertares. A remoção do tecido hipertrofiado das amígdalas é uma forma usual de tratar o distúrbio – e, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a cirurgia conta com a ajuda do robô Da Vinci. “O robô tem mais acesso e é mais preciso na área a ser operada. A máquina cauteriza cada ponto em que atua, diminuindo o sangramento e o inchaço”, conta o Dr. Eric Thuler, otorrinolaringologista do Hospital. Apneicos passam a dormir melhor… e seus companheiros agradecem o fim do ronco.

NARCOLEPSIA

Não pense que a sua conversa está chata se o seu interlocutor cochilar: ele pode sofrer de narcolepsia, distúrbio no qual a fase REM – a dos sonhos – “invade” a vigília, provocando um incontrolável ataque de sono. A baixa concentração de orexina no cérebro é a responsável pelo transtorno – e, como não há remédio que atue diretamente nesse neurotransmissor, o tratamento costuma focar os sintomas.

DISTÚRBIOS DE MOVIMENTO

Uma vontade irresistível de mexer as pernas faz com que se demore mais para dormir e/ou que se acorde algumas vezes na fase inicial do sono. Esse é o sintoma do movimento periódico das pernas e da síndrome das pernas inquietas, que costumam afetar pessoas na terceira idade. A causa desses distúrbios ainda não foi esclarecida, mas sabe-se que há um componente hereditário envolvido. Ou seja, se você vir seus avós com pernas agitadas, pode ir se preparando…

PARALISIA DO SONO

“Na fase REM, os músculos ficam imobilizados. Ao despertar repentinamente dessa fase, a pessoa não consegue se mexer”, esclarece o Dr. Luciano sobre a paralisia do sono. Normalmente, o estado é acompanhado de alucinações hipnagógicas, visões distorcidas da realidade durante a passagem do sono para a vigília. Apesar de aterrorizante, a sensação costuma durar só alguns instantes.

INSÔNIA

Mal moderno que acomete muita gente, a insônia pode ser um sintoma – de uma depressão, por exemplo – ou a própria doença. Nesse caso, é chamada de transtorno da insônia e é um distúrbio, diríamos, misterioso. “Fatores psicológicos, comportamentais e afetivos podem levar ao problema, que não tem uma causa aparente, mas sim um universo a ser explorado”, explica o Dr. Luciano, que defende a terapia como auxiliar no tratamento.

DISTÚRBIOS DE RITMO CIRCADIANO

Trabalhadores em turnos, vespertinos e privados de sono são alvo certo dos distúrbios de ritmo, que levam à irritabilidade e à queda de desempenho. E mais: “Quando se altera o relógio biológico, alteram-se os sistemas cardiovascular, imunológico, nervoso e endócrino. Obesidade, câncer e predisposição a infecções são alguns dos possíveis efeitos”, alerta o Dr. Luciano.

Autor: MAITÊ CASACCHI
Data: 10/04/2018