Atenção Básica ganha guia especializado em tecnologias da saúde

Nos dias 28 e 29 de setembro, 50 profissionais da saúde, atuantes na Atenção Básica e representantes das cinco regiões brasileiras, estiveram no Hospital Alemão Oswaldo Cruz para uma oficina de capacitação na metodologia de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) aplicados à atenção básica, recentemente publicados como o “Guia de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) na Atenção Básica”. Este guia foi elaborado pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).

Principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e centro de comunicação com toda a rede da saúde pública, a atenção básica, que é o primeiro nível de atendimento, tem capacidade de resolver grande parte dos problemas de saúde da população, sendo que no Brasil ela é desenvolvida com alto grau de capilaridade e proximidade da vida das pessoas.

“O guia é uma ferramenta de disseminação das principais metodologias de ATS que consistem em medicamentos, equipamentos, procedimentos técnicos e sistemas organizacionais, mas também informacionais e educacionais, especialmente as chamadas “tecnologias leves” que envolvem as relações  e compreendem a política de humanização com acolhimento, a escuta qualificada, o projeto terapêutico singular e o matriciamento das ações de saúde”, afirma Luciana Leão, Coordenadora de Avaliação em Tecnologias da Saúde da Coordenação Geral de Fomentos à Pesquisa e à Avaliação de Tecnologias em Saúde do Departamento de Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

Expansão da Atenção Básica passa pelo cuidado centrado na pessoa

Desde a década de 90 o Ministério da Saúde tem investido no fortalecimento da atenção básica em todo o território nacional. Atualmente a AB tem uma cobertura de 64,3% da população e implantação de mais de 40 mil equipes de saúde da família, conforme dados de 2016, incluindo unidades básicas de saúde fluviais e equipes para as populações ribeirinhas. Além do desafio de chegar aos quatro cantos do Brasil, o papel da AB tem sido o de consolidar um sistema de rede de informações de saúde centrado na pessoa e com cuidados continuados, que inclua o conceito de saúde da família.

“A Medicina da Família é uma ferramenta-chave para o desenvolvimento da atenção básica. É preciso considerar os diversos contextos e treinar os funcionários para que eles tenham habilidade de comunicadores, prontos a acolher e a fazer uma escuta qualificada onde quer que estejam”, afirma o Dr. Giuliano Dimarzio, diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e um dos palestrantes do evento.

Na opinião do Dr. Airton Stein, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, trata-se ainda de “integrar conhecimento e melhorar desfechos”, encontrando as estratégias específicas para prevenir e promover a saúde, onde quer que o Guia de Avaliação de Tecnologias da Saúde (ATS) na atenção básica venha a ser utilizado. Ele indica ainda que o relato das experiências da implantação deve ser trocado como forma de maior aprendizado.

Para a Dra. Teresa Setsuko Toma do Instituto de Saúde, ligado à Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (REBRATS), o Guia trouxe muitas novidades com relação a estudos que possam orientar os integrantes da atenção básica, sobretudo no que diz respeito às tecnologias leves. Ela destaca que implantar uma política de acolhimento é fundamental, mas envolve analisar custos. “O evento foi oportuno para que eles conheçam essas metodologias, mas também foi importante para que tivéssemos uma ideia do que eles mais necessitam no seu dia a dia”, destaca.

Oficinas com sugestões práticas

As oficinas têm por objetivo estimular a reflexão sobre como a prática da Saúde Baseada em Evidências e a Epidemiologia podem auxiliar na resolução dos problemas cotidianos dos participantes. Nessa primeira parte do evento, que terá uma segunda edição em outubro, foram discutidos temas diversos de alta relevância para a atenção básica no Brasil,  como o atendimento especializado aos pacientes diabéticos e hipertensos e o acolhimento multiprofissional para mulheres mastectomizadas como forma de aumentar a qualidade de vida e evitar a recidiva da doença.

“O evento superou as expectativas. Primeiro porque teve uma representatividade nacional – estiveram presentes cinco regiões do Brasil. E depois porque foi focado na atenção básica, no desenvolvimento dessas tecnologias leves, que são um grande desafio na nossa área. Há muito o que se desenvolver na ATS para a atenção básica”, afirma a Dra. Anna Buehler, Coordenadora da Unidade de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Instituto de Educação e Ciências em Saúde (IECS) do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Segundo a Dra. Cleusa Ferri, pesquisadora epidemiologista do IECS, o evento foi bem sucedido, principalmente porque demonstrou que o Guia de Avaliação de Tecnologias da Saúde (ATS) na atenção básica vai cumprir a sua função. “Tivemos muitos feedbacks de que ele está palatável, de fácil leitura, e com certeza será uma importante fonte de orientação para os profissionais da atenção básica à Saúde no Brasil”, diz ela.

Definição de ATS

Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) – Processo abrangente por meio do qual são avaliados os impactos clínicos, sociais e econômicos das tecnologias em saúde, levando-se em consideração aspectos como eficácia, efetividade, segurança, custos e custo-efetividade.