A importância das redes de atenção à saúde para o fortalecimento do SUS

Um sistema de saúde complexo como o brasileiro requer diversas estratégias que promovam a descentralização, gerem capilaridade e, consequentemente, proporcionem um atendimento de qualidade e com segurança a toda a população.

Nesse contexto, a implementação das Redes de Atenção à Saúde (RAS), liderada pelo Ministério da Saúde desde 2011, representa um avanço fundamental na organização do Sistema Único de Saúde (SUS). As RAS consistem em um conjunto de ações e serviços coordenados de forma a atender as necessidades de saúde da população em todos os seus níveis de complexidade, garantindo assim a integralidade do cuidado.

As Redes de Atenção à Saúde, na condição de produtos das ações de políticas que fortalecem e cumprem as diretrizes do SUS, configuram um arranjo que busca garantir a universalidade do atendimento em saúde, ou seja, ampliar acesso e em tempo oportuno e de forma integral.

Alguns anos antes, a Estratégia Saúde da Família (ESF), instituída pelo Ministério da Saúde em 1994, já havia provocado uma grande mudança de cultura na sistematização das redes de atenção à saúde no SUS. Historicamente, nunca havia sido priorizado o fortalecimento da rede por uma perspectiva sistêmica, intersetorial e integrada, o que consolidou a ESF como uma política pública disruptiva e essencial para a qualidade de vida da população brasileira.

Mesmo assim, o Brasil ainda enfrenta obstáculos na tentativa de reforçar a importância de uma discussão focada nas prioridades locais, de forma que os serviços de saúde sejam capazes de atender as demandas específicas de cada região, o que exige um compromisso perene e estruturado.

O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, PROADI-SUS, é uma possibilidade, fundamental e estratégica, para que essa estratégia se concretize. Trata-se do compartilhamento de conhecimento e experiência de instituições com décadas de atuação e excelência em saúde na sociedade brasileira, em prol das RAS, considerando seus amplos desafios. Podemos afirmar que o grande mérito do PROADI-SUS é reunir todas as esferas em benefício das linhas estruturantes do Sistema Único de Saúde.

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz é um dos atores da consolidação das Redes de Atenção à Saúde no SUS. Com o PROADI-SUS, desenvolvemos há mais de 11 anos iniciativas que atuam como uma ponte para superar a fragmentação das ações e dos serviços de saúde em todas as regiões do Brasil.

Temos construído dispositivos que aproximam gestores e trabalhadores dos diferentes âmbitos da atenção, rompendo com as lógicas fragmentadas e reforçando a importância do trabalho em Rede.

A essa altura, muitos podem se perguntar: mas como um hospital privado filantrópico como o Hospital Alemão Oswaldo Cruz teria esse know-how? A resposta é simples: as Redes de Atenção à Saúde são responsabilidade do Sistema Único de Saúde, que engloba também a saúde suplementar. Temos um grupo qualificado de profissionais que trabalham de maneira disruptiva e inovadora para implementar metodologias de forma eficiente no SUS, promovendo uma sinergia entre público e privado.

Esta sinergia tem apontado respostas importantes para pensarmos a organização da atenção primária, da atenção especializada e urgência e emergência na Rede de Atenção à Saúde e, a partir daí, caminharmos para organizar a gestão e o processo de trabalho possíveis a partir das diferenças macrorregionais.

Com facilidade, as questões acima poderiam ser respondidas de forma burocrática e administrativa. No entanto, o PROADI-SUS consegue, por sua capilaridade, entender singularidades e propor ferramentas e metodologias inovadoras que ampliam as possibilidades do trabalho em Rede no SUS.

Uma das realizações do Hospital Alemão Oswaldo Cruz que caminha nesse propósito é o projeto “Fortalecimento dos Processos de Governança, Organização e Integração das Redes de Atenção à Saúde”, que visa aperfeiçoar o protagonismo na esfera municipal, com um primordial caráter cooperativo no robustecimento do Planejamento Regional.

Um dos principais objetivos do projeto é consolidar os comitês de governança das RAS, levando em conta os arranjos administrativos possíveis entre as Regiões de Saúde.

Outro feito que está contemplado na carteira de projetos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, no âmbito do PROADI-SUS, é a Rede Colaborativa para Fortalecimento da Gestão Municipal do Sistema Único de Saúde, um projeto que busca um melhor planejamento junto às diretorias do COSEMS (Conselho de Secretários Municipais de Saúde), garantindo assim mais autonomia para os municípios pautarem as suas atividades na atenção básica, com uma melhor utilização dos recursos.

O projeto possibilita que seus apoiadores e coordenadores atuem como alunos bolsistas nos 26 estados da federação em cursos de aprimoramento, auxiliando dessa forma os gestores locais no cotidiano do COSEMS.

Sem dúvida, um dos principais benefícios desse projeto é garantir o suporte técnico na qualificação do gestor municipal para que ele possa manter vivas as discussões pertinentes àquela determinada região, como a importância da rede de atenção no cuidado domiciliar, por exemplo.

Além de promover discussões técnicas, é preciso garantir que a linha de cuidado resulte em benefícios para a população e, para isso, seguimos trabalhando em sinergia com as necessidades do CONASEMS (Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde) e do CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde).

Esses são só alguns exemplos de ações que estão mobilizando a organização das RAS no âmbito do Sistema Único de Saúde. Vivemos uma época em que as demandas de saúde tendem a ser cada vez mais desafiadoras, o que pede soluções que priorizem um olhar integrado e comprometido, para que os princípios do SUS sejam respeitados. Seguiremos como um braço estratégico do Ministério da Saúde em busca da excelência em saúde para toda a sociedade.

Data: 09/02/2021
Fonte: BLOGS DO ESTADÃO