Síndromes Mieloproliferativas

O que são?

São um grupo de doenças da medula óssea em que algumas células são produzidas em excesso. Como as células doentes produzidas são maduras, em geral, inicialmente, não há redução da contagem de outras linhagens no hemograma. Um leve aumento do número de células sanguíneas pode não causar sintoma, mas um aumento moderado possui alto risco de complicações como trombose, anemia e infecções.

Atinge principalmente adultos com mais de 50 anos de idade.

Quais são os principais tipos?

  • Leucemia mieloide crônica (LMC)

Pacientes com LMC apresentam uma produção excessiva de glóbulos brancos e normalmente têm uma evolução lenta no crescimento das células doentes ao longo do tempo. Em 95% dos casos há uma alteração genética característica que é a translocação entre os cromossomos 9 e 22, formando o cromossomo Philadelphia.

Os sintomas que podem surgir são anemia, fadiga, febre, sangramentos, perda de peso sem motivo aparente, desconforto abdominal devido ao aumento do baço. Alguns pacientes são completamente assintomáticos e a doença é descoberta em um exame comum de sangue.

Diferente das leucemias agudas, o tratamento da LMC é feito com medicamentos administrados por via oral, os inibidores da tirosina quinase, que permitem adequado controle da doença para a maioria dos pacientes. O transplante de medula óssea pode ser indicado em alguns casos, especialmente para os pacientes mais jovens, que tenham doador totalmente compatível e que não tenham obtido boas respostas com os medicamentos via oral.

  • Policitemia vera (PV)

A PV é caracterizada pelo aumento dos glóbulos vermelhos no sangue, notado pelos valores altos de hemoglobina e hematócrito no exame de sangue. A longo prazo, pode evoluir para doenças mais graves, como a Mielofibrose e a Leucemia mieloide aguda, embora isso não seja comum. É associado frequentemente à mutação JAK2 V617F em mais de 90% dos casos.

Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, cansaço, tontura, transpiração excessiva, queimação ou vermelhidão nas palmas das mãos e plantas dos pés, coceiras na pele. Podem ocorrer também eventos trombóticos como trombose venosa nas pernas, embolia pulmonar, AVC e infarto.

O tratamento é estabelecido de acordo com idade e histórico de trombose, e geralmente é feito com administração de aspirina e realização de sangrias periódicas (retirada de uma quantidade de sangue para remover o excesso de glóbulos vermelhos). Em casos de maior risco, podemos utilizar medicação quimioterápica oral, hidroxiuréia, para redução dos glóbulos vermelhos.

  • Trombocitemia essencial (TE)

A TE é caracterizada pelo número elevado de plaquetas no exame de sangue. Cerca de um terço dos pacientes é assintomático no momento do diagnóstico, mas podem apresentar dor de cabeça, alterações visuais, desmaios, dor no peito, queimação ou dor nas mãos e pés. Eventos trombóticos e sangramentos são as principais complicações relacionadas à doença. Assim como a Policitemia vera, também pode evoluir para Mielofibrose e Leucemia aguda.

O diagnóstico deve excluir outras causas de aumento das plaquetas como infecções, inflamação aguda, deficiência de ferro, entre outras. Para definição da TE deve ser feito o exame da medula óssea, demonstrando alterações nos precursores das plaquetas, e a pesquisa da mutação JAK2 V617F, que está presente em cerca de 60% dos casos. Outras mutações também podem ser encontradas como dos genes MPL e CARL.

O tratamento é definido de acordo com o risco trombótico. O médico avalia a idade do paciente, histórico de trombose e a presença de fatores de risco cardiovasculares, como obesidade, diabetes, hipertensão e tabagismo. Pode ser indicado somente o uso de aspirina ou terapia com quimioterápico oral, hidroxiuréia, nos casos de maior risco, visando reduzir as contagens plaquetárias.

  • Mielofibrose

A mielofibrose é um tipo raro de câncer que afeta as células responsáveis pela produção de sangue na medula óssea e está associada a mutações genéticas adquiridas. Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, como fraqueza e cansaço, muitas vezes atrasando o diagnóstico. Nas fases mais avançadas da doença, os pacientes apresentam sintomas mais importantes de anemia, desconforto abdominal relacionado ao aumento do baço (pode ocorrer grandes esplenomegalias), coceira, infecções recorrentes, transpiração excessiva, perda de peso.

A mielofibrose é classificada em dois tipos: primária (sem causa determinada) ou secundária, decorrente da evolução de outras doenças como leucemia mieloide crônica, policitemia vera, trombocitemia essencial, mielodisplasias, câncer com metástases na medula. Em ambos os casos, há o risco de a doença evoluir para uma leucemia mieloide aguda ou para problemas como hemorragias no sistema digestivo e desenvolvimento de eventos tromboembólicos.

O diagnóstico é feito com avaliação do hemograma, da medula óssea (biópsia de medula) e pesquisas genéticas. Cerca de metade das pessoas com mielofibrose primária apresenta mutação no gene JAK2, enquanto outras podem ter mutação nos genes CALR ou MPL.

O tratamento da mielofibrose têm como principais objetivos melhorar a contagem de células sanguíneas, reduzir os riscos de complicações da doença e controlar os sintomas. Na maioria das vezes, é realizado por meio de medicamentos, mas às vezes o indivíduo pode precisar de um transplante de medula óssea alogênico (quando a medula vem de um doador), única forma de cura da doença.

A radioterapia também pode auxiliar na redução do baço, mas apenas temporariamente e com o risco de causar contagens baixas de glóbulos brancos e infecções. Em casos raros, pode ser necessário remover o baço, o que só é indicado se todas as outras medidas já tiverem sido tentadas.